A matriarca recebeu a ligação e correu para o hospital.
Ela olhou com o coração apertado para Ana, que ainda não havia acordado na cama do hospital.
Ao ver a avó, Gilberto se levantou e se aproximou.
— Por que a senhora veio a esta hora da noite?
A matriarca se virou e lhe deu uma bengalada, que acertou em cheio o ombro de Gilberto.
As sobrancelhas de Gilberto se contraíram, mas ele permaneceu imóvel como uma estátua.
— É assim que você cuida dela?
Gilberto sabia que, desta vez, a culpa era sua. Ele havia perdido o controle por causa da raiva e exagerado na força.
Ele pressionou os lábios, sem dizer uma palavra.
A matriarca apontou o dedo para o rosto dele.
— Lembre-se, Ana é sua esposa! A pessoa que será enterrada no mesmo túmulo que você quando morrer!
Gilberto baixou a cabeça.
— Não haverá uma próxima vez.
A matriarca fechou os olhos, sem querer olhá-lo. Aproximou-se da cama e, ao chegar mais perto, notou as inúmeras marcas no corpo de Ana. Ficou claro o que havia acontecido.
Dona Paulina, que a acompanhava, entrou no quarto naquele momento. Primeiro, olhou para Gilberto com hesitação, balançou a cabeça e suspirou.
Depois, aproximou-se da matriarca e sussurrou em seu ouvido.
— O quê? Ela se machucou?
Dona Paulina assentiu.
— Mas não parece ser muito grave. Disseram que alguns dias de medicação resolverão, mas que é preciso ter cuidado no futuro.
Ao ouvir isso, o rosto da matriarca ficou verde de raiva.
— Cretino! Olhe a besteira que você fez!
A matriarca ergueu a bengala para bater nele novamente, mas Dona Paulina a deteve a tempo.
— Não — Gilberto disse apenas uma palavra.
A matriarca bufou novamente.
— Não pense que eu não sei que você tem andado próximo daquela garota dos Cruz todos esses anos. Eu não me meti antes porque achei que, sendo um assunto de jovens, uma velha como eu não deveria interferir. Mas agora, eu te aviso: fique longe daquela garota dos Cruz, ouviu bem?
As sobrancelhas de Gilberto se contraíram.
— Vovó, meus assuntos...
— Eu não quero me meter nos seus assuntos, mas olhe a bagunça que você fez da sua vida!
A matriarca apontou para Ana.
— Sua casa não é um lar! E olhe para sua esposa! Olhe o que você fez com uma moça tão boa! Foi você mesmo quem disse que só se casaria com a Ana! E veja como você age agora!
— Você cumpriu suas responsabilidades como marido e pai para com Ana e Olivia? Tem tempo para os outros, mas não para sua própria esposa e filha?
Gilberto cerrou os punhos, mas permaneceu em silêncio.

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