Se o relacionamento de um casal estivesse arruinado, por que eles almoçariam juntos?
E por que ele teria aquele gesto íntimo de virar o rosto dela?
Além disso, Gilberto não gostava de frutas, mas a travessa de frutas na mesa de centro claramente havia sido preparada para alguém.
Muitos detalhes indicavam que a relação entre eles não era tão fria e distante quanto Pérola dizia.
— Deve ter sido aquela vagabunda da Ana que usou algum truque! Gilberto a detestava. Quando ela engravidou e deu à luz, ele nem a acompanhou e nunca a reconheceu em público. Com certeza foi algum truque dela!
— Antes, Gilberto a odiava tanto que a proibiu de pisar na empresa, mas agora ela até trabalha no Grupo Paiva!
Ao ouvir isso, Adélia franziu a testa, pois o que ouvia não correspondia ao que via.
Embora a interação entre os dois não fosse a de um casal normal e afetuoso, parecia haver uma sintonia entre eles que era difícil de descrever.
Ela não sabia se Pérola havia percebido, mas ela sentiu isso claramente.
— Pérola, talvez você devesse aprender a aceitar e a deixar ir. O mundo não é só sobre amor; há muitas coisas mais importantes.
Pérola forçou um sorriso.
— É fácil para você dizer isso, veterana, porque você já o teve, já o conquistou. Se estivéssemos no lugar uma da outra, você conseguiria abrir mão dele de bom grado?
Adélia abriu a boca, mas no final, não disse mais nada.
Em seu plano de vida, o amor não era o objetivo final.
Por isso, no passado, ela escolheu a carreira em vez do amor.
Mas era evidente que nem todos pensavam assim.
Dar importância demais aos sentimentos, especialmente a um amor não correspondido, e ser obcecada demais, só levaria à loucura.
De volta ao escritório, Ana terminou seu trabalho e olhou para o relógio: quatro e meia.
Lembrou-se do rosto que vira no escritório de Gilberto ao meio-dia.
Quando se deu conta, a página de busca do computador já estava cheia de informações e artigos sobre Adélia.
Ao ver a notícia de seu divórcio, a mão de Ana que segurava o mouse parou.
Então ela estava divorciada.
Após uma rápida olhada na tela, Ana fechou o computador. Nada daquilo lhe dizia respeito.
Ela pegou o celular e abriu o calendário.
— Ana, você veio.
Ana sorriu e assentiu.
— Hoje o dia foi tranquilo, então vim te ver.
Félix se levantou, apoiando-se na muleta. Ana estava prestes a ajudá-lo, mas ele a impediu.
— Não precisa. Eu consigo sozinho.
Ao ouvir isso, Ana recuou a mão, observando-o nervosamente se levantar e caminhar lentamente até ela.
— Irmão, você realmente consegue andar!
Félix estendeu a mão e afagou sua cabeça.
— Sim, o médico disse que se eu continuar com a fisioterapia, em três a cinco meses poderei andar sem a muleta.
Ana ficou muito emocionada e animada, e não pôde deixar de abraçá-lo.
— Irmão, isso é maravilhoso!

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