A recepção recebera ordens: se vissem Ana na área de retirada de entregas, deveriam notificar imediatamente o escritório da presidência e tentar enrolá-la o máximo possível.
Então, no momento em que a recepcionista viu Ana saindo do elevador, ela imediatamente ligou para o escritório do presidente.
— Aqui é da recepção, a senhora Paiva acabou de descer.
— Certo, entendido! — A recepcionista desligou e saiu de trás do balcão.
— Senhora Paiva, precisa de algo? Posso ajudar?
Ser chamada de "senhora Paiva" de repente assustou um pouco Ana. Ao se virar e ver um rosto familiar, ela relaxou.
— Não precisa, eu só pedi algo e vim buscar. Posso fazer isso sozinha, pode voltar ao trabalho.
A recepcionista sorriu. — Não se acanhe, senhora Paiva. Tem certeza de que não precisa de ajuda?
— Tenho cer... — Ela parou de falar ao olhar para a área de entregas.
Só então percebeu a quantidade de pacotes. Havia inúmeras sacolas de papel do aplicativo de delivery.
Mesmo assim, ela sorriu e recusou educadamente. — Não precisa mesmo, pode voltar ao trabalho. Eu me viro.
Diante da insistência, a recepcionista assentiu e não insistiu mais.
Ana se virou e começou a procurar seu pedido. Como tinha acabado de chegar, seu remédio não estaria no fundo.
Ela só precisava procurar na parte da frente.
No momento em que encontrou a etiqueta do seu pedido, a voz de Mike soou atrás dela.
— Senhora Paiva, o Diretor Paiva pediu para a senhora ir ao escritório dele.
Ao ouvir a voz de Mike, Ana se assustou e se virou, escondendo a sacola de papel atrás das costas.
— Agora?
Mike assentiu. — Sim, agora.
Ana franziu a testa. — Entendi. Vou só deixar isso na minha mesa e já vou.
— Senhora Paiva, o Diretor Paiva disse para levá-la imediatamente.
Ana ficou em silêncio. Será que Gilberto sabia?
Não era possível, era?
Ele soube assim que ela desceu?
Ele não podia prever o futuro.
Ela até foi ao banheiro para comprar o remédio, era impossível alguém ter visto ou saber.
Talvez ela estivesse sendo paranoica.
— Tudo bem.
Ela seguiu Mike até o elevador.
Ainda assim, apertava com força a sacola de papel em suas mãos. A sacola era muito chamativa, e como ela desceu sem bolsa, não tinha onde guardá-la, a não ser segurá-la.
— O que tem para ver num remédio? — Ana respondeu, com uma expressão de resistência e confusão.
— Estou curioso. Me dê.
Nesse ponto, não havia mais o que duvidar.
Era óbvio que ele sabia, embora ela não soubesse como.
— Não é Ibuprofeno.
— Então o que é?
Gilberto estava claramente determinado a ir até o fim.
Ana franziu os lábios e, após alguns segundos de silêncio, disse: — Pílula do dia seguinte.
Gilberto manteve uma expressão calma, sem surpresa alguma.
— Me dê.
— O que você vai fazer?
— Ou você me dá, ou eu pego eu mesmo.
Era uma pergunta retórica. Se ela não entregasse, ele não conseguiria pegar?
No final, ela entregou a sacola a ele.

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