"Raica"
São Paulo, Brasil. Um ano antes…
Escuto os gritos ainda do jardim, então corro desesperada, temo não chegar a tempo, temo que meu pai conclua por fim o que almeja desde que descobriu que meu irmão não é sua marionete. É alguém com escolhas e vontades próprias, alguém diferente dele, muito diferente. Minha respiração vaza forte, meu corpo treme e nem sei como consigo ter equilíbrio para alcançar a porta.
— SOLTA ELE!
É o que consigo gritar antes de avançar para cima do meu pai com uma força inexplicável, monto em suas costas como se ele fosse um touro raivoso, domo seus movimentos para soltar meu irmão das garras cruéis, impiedosas. E consigo, toda a fúria é minha agora.
— Não me impeça de dar um corretivo nesse garoto, não me impeça, sua puta! — brame, alavancando meu corpo e o arremessando ao chão como um saco pesado de entulho podre. Sinto alguns ossos trincarem com a queda. — Se está do lado dessa bicha, é igual. É igual a ele. Meu Deus, por que o castigo?
— Como ousa clamar por Deus se é o próprio demônio?
O tapa se forma na mão enorme, fecho os olhos para receber a punição severa por escolher Renan. Prendo a respiração por escolher o respeito e o amor, e recusar a opressão e a tirania que nos asfixia desde criança.
— NÃO!
Perco o tempo que Renan acerta a cabeça do meu pai, perco o tempo que sua revolta toma a frente e o faz parar por alguns minutos.
— Basta, irmão… — Impeço-o de um segundo golpe, seu tórax subindo e descendo sem controle, o choro se mistura com o sangue que escorrega gélido no rosto sempre alegre, mas que ultimamente só expressa tristeza. — Ele está inconsciente. — Retiro de suas mãos a escultura de barro, amparo seu corpo ao redor dos meus braços.
— Matei ele?
— Não — garanto, quando dobro os joelhos próximo ao quadril e sinto a pulsação. — Não matamos ele.
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