Selena Foster – Narrando.
Eu não conseguia acreditar no que estava vendo.
Quais eram as chances de cruzar com a mesma pessoa duas vezes no mesmo dia?
Nova Iorque sempre me pareceu grande demais para coincidências desse tipo.
— Isso só pode ser brincadeira. — Murmurei incrédula, balançando a cabeça em negação.
Ele me encarou como se tivesse acabado de confirmar sua pior suspeita.
— Então é assim que funciona? Primeiro se j**a na frente do meu carro, depois aparece no meu escritório? – Disse ele dando um passo à frente, a voz carregada de desconfiança.
— Como conseguiu me rastrear? Vai admitir que me seguiu ou vai fingir que é coincidência?
Senti o sangue ferver.
— Você só pode estar fora de si. — Respondi seca. — Eu estou aqui porque tenho uma entrevista marcada. Não estou seguindo você.
— Babá? — ele riu, sem humor. — Essa é boa.
— Senhor Caldwell! Selena! — a voz de Alice surgiu rápida, tensa.
Ela se colocou fisicamente entre nós, como se precisasse impedir que a discussão escalasse ainda mais.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou, olhando primeiro para mim, depois para ele. — Por que vocês dois estão brigando?
Ele passou a mão pelo rosto, mostrando-se claramente irritado.
— Essa é a mulher do café. Hoje ela se jogou na frente do meu carro e agora aparece aqui, como se nada tivesse acontecido?
Eu o olhei irritada e voltei a encarar Alice, que me olhava com confusão.
—Eu não me joguei na frente do carro dele. Ele quem estava distraído e não me viu.
Alice franziu o cenho confusa e então, intercalou o olhar entre mim e o chefe dela.
—Senhor Caldwell, essa é Selena Foster. Eu a selecionei para a vaga de babá! – Ela disse, voltando a me olhar. —Selena, esse é Philip Caldwell, meu chefe!
Assim que Alice falou, seus olhos encontraram os meus e em seguida, ela voltou o olhar para Philip.
— Senhor Caldwell, a senhorita Foster atende a todos os requisitos. É competente, responsável e… — Ela falou e me lançou um olhar rápido — definitivamente não está interessada em homens.
—Eu não quero mais essa vaga! – Falei olhando para Alice. —Me desculpa amiga. Preciso ir.
Me virei para caminhar até a porta antes que ela respondesse, mas ao dar um passo, meu celular tocou.
Ele me interrompeu antes que eu continuasse a falar:
— Mas haverá uma condição a mais. – Seu tom era controlado, totalmente profissional.
— Se você cometer um único erro, pagará dez vezes o valor da multa por quebra de contrato.
Aquilo soou como um desafio direto. E eu engoli o orgulho.
Se recusasse a oferta, acabaria arrastando a única pessoa que nunca me abandonou, para dentro dos meus problemas.
Alice esteve comigo quando perdi minha mãe para o câncer e quando vendi tudo para pagar o hospital. – Ela nunca me abandonou.
Respirei fundo e assenti.
— Eu aceito a vaga… — Falei com a voz baixa e firme — Mas preciso de seis meses do salário adiantado.
Ele me encarou por alguns segundos e soltou um riso.
— Seis meses? Está bem. Vou transferir. Você começa amanhã. – Disse ele, arqueando uma sobrancelha e ao passar por mim, Philip se curvou para ficar a minha altura e cochichou.
— Prepare-se para pagar essa multa, senhorita Foster!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Babá sob contrato - Um laço inesperado