[Lila]
Na foto, minha avó, Corinne, estava sentada nessa mesma penteadeira, nesse mesmo quarto. Franzi a testa e olhei ao redor.
Será que este era o antigo quarto de meus avós? Minha mãe nunca mencionou que meus avós tinham morado no packhouse.
Eu não conseguia superar o quão bonita minha avó era. Ela se parecia exatamente com a minha mãe. Me entristeceu relembrar que ela não estava mais por perto. Eu queria muito tê-la conhecido.
Continuei vasculhando as outras fotos que ocupavam o espelho e vi que havia outra com minha avó, ao lado de meu avô, James.
Eles pareciam tão felizes e apaixonados. Este era o tipo de história de amor que eu queria. Menos a parte de morrer e ser mantida em cativeiro pelo Alfa por anos. Me perguntei em quanto tempo depois dessa foto, que meu avô foi mantido em cativeiro e minha avó morreu...
Me senti mal só de pensar nisso.
Coloquei as fotos de volta na penteadeira. Era estranho que elas estivessem apenas ali. Como se este quarto não tivesse sido tocado desde que minha avó morara nele.
Fui em direção à pequena mesa do outro lado do quarto, onde coloquei o prato de chá e dei um gole. O chá ainda estava muito quente e tinha um sabor delicioso. Havia uma xícara pequena de leite no prato, assim como alguns cubos de açúcar.
Estava perfeito.
Enzo estava investigando as invasões ao redor de seu pack. Eu estaria mentindo se dissesse que não estava um pouco preocupada com isso. Tantas invasões em um pack, eram incomuns e eu me perguntava de onde vinham.
Tive um pressentimento ruim ao pensar nisso.
Houve uma batida leve na minha porta, trazendo minha mente de volta parao presente.
"Entre." eu disse do outro lado do quarto.
Fiquei feliz em ver Dee parada na porta. Ela tinha um sorriso agradável e um olhar gentil nos olhos.
"Desculpe incomodá-la, senhorita Lila. Mas eu queria perguntar se poderia te trazer algo. Talvez alguma comida?"
Sorri em agradecimento a ela.
"Que tal eu te ajudar na cozinha, Dee?" Questionei a ela em retorno, já caminhando em direção à porta. Ela ergueu as sobrancelhas.
"Oh, não... tudo bem." ela disse com uma risadinha. "Estou acostumada a cozinhar sozinha."
"Sou bastante habilidosa com uma faca, sabe..." eu disse, caminhando pelo corredor. Todo o corpo dela parecia ter congelado com minhas palavras, me fazendo rir. "Sinceramente, não me importo. Preciso de algo para fazer. O que vamos fazer?"
Ela se derreteu em um sorriso enquanto falava.
"Estava pensando... Que tal um ensopado?" Ela perguntou, me seguindo escada abaixo.
"Parece delicioso. Eu adoro um bom ensopado. Minha mãe tem uma receita incrível. Claro, não quero mexer na sua própria receita."
"Talvez possamos combiná-las?" Ela sugeriu. "Estou sempre procurando maneiras de melhorar minhas receitas."
"Eu gosto dessa ideia." eu disse com um sorriso.
Entramos na cozinha. Era enorme, extremamente limpa e muito organizada. Eu podia dizer que ela não deixava muitas pessoas entrarem na cozinha.
Ela já tinha a maioria dos ingredientes colocados no balcão. Fui direto para os legumes espalhados por ali e comecei a lavá-los enquanto ela preparava os equipamentos.
"É estranho ter ajuda aqui." ela admitiu. "Estou tão acostumada a ficar sozinha na maior parte do tempo."
"Ninguém deveria ficar sozinho o tempo todo." eu disse a ela. "É bom ter companhia de vez em quando."
"Você é muito gentil, senhorita Lila." ela respirou. Comecei a cortar os legumes enquanto ela fazia o caldo. Ela ergueu as sobrancelhas ao notar o quão rápido eu estava indo. "Quem te ensinou isso?"
"Minha mãe." eu respondi. "Ela cozinha refeições maravilhosas."
Ela reuniu os legumes e os colocou na panela em que estava cozinhando. Peguei alguns ingredientes que minha mãe usa e comecei a polvilhá-los na panela também.
"Então, você é a mãe da casa há muito tempo?" Perguntei, olhando para ela.
Ela riu enquanto pegava uma tigela para si mesma e alguns copos de água para cada uma de nós. Ela sentou ao meu lado no outro banco e juntas, nós comemos.
Ficamos principalmente em silêncio enquanto aproveitávamos os deliciosos sabores do ensopado. Nossas receitas funcionaram muito bem juntas, e eu estava orgulhosa de criar um prato com alguém que agora, considerava uma amiga.
Alguns outros, que moram na casa da matilha, entraram na cozinha e começaram a pegar suas próprias porções. A maioria deles não disse nada para nós. Alguns murmuraram "Olá, Dee," enquanto pegavam suas porções.
Alguns até disseram "Obrigado, Dee," antes de sair da cozinha com suas tigelas.
"Espero que sobre o suficiente para o Alfa." eu disse a ela, com uma risada.
"Oh, eu já reservei um pouco para ele." ela respondeu, combinando com minha risada.
Isso foi inteligente.
Depois de terminarmos de comer, eu a ajudei a limpar.
"Você realmente não precisa ajudar. É uma convidada." ela disse carinhosamente.
"Não me importo."
Ela pausou por um momento enquanto olhava para o meu rosto.
"Sabe, você é a primeira mulher que o Alfa Enzo já trouxe para casa." ela comentou, olhando para mim enquanto eu secava a louça que ela me entregava.
"A primeira?" perguntei, surpresa. "Ele é um Alfa muito bonito. Como isso é possível?"
"Ele nunca se interessou por namorar antes." ela disse, uma pequena ruga nos lábios. "Ele sempre disse que relacionamentos te tornam fraco. Quando era criança, ele sempre teve grandes ambições na vida. Ter uma companheira só atrapalharia. Pelo menos, segundo ele, atrapalharia."
Senti meu coração caindo no estômago com suas palavras. Não tenho certeza do porquê aquilo me incomodou tanto. Talvez porque eu podia sentir Val baixando o olhar, entristecida pela dura realidade.
Nosso companheiro, não quer uma companheira.

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