Ponto de Vista de Lila
Dei um passo para trás enquanto as crianças vinham correndo em minha direção. Seus rostos animados se iluminaram à medida que se aproximavam.
— Não posso acreditar que estamos realmente te conhecendo! — Uma das meninas disse feliz — Você é uma lenda por aqui!
— Uma lenda? — Perguntei, levantando as sobrancelhas em pura confusão. Olhei para a Dee, que tinha um sorriso no rosto. — Eu não entendo...
— Você lutou contra os vilões e salvou aquela mulher! — Uma das crianças explicou — Todo mundo está falando sobre isso!
— A palavra se espalha rápido. — Dee disse com um encolher de ombros — Você é como uma heroína para as crianças.
— Queremos ser como você!
— Nos ensine a lutar!
— Queremos lutar como a incrível Lila!
Devo ter parecido tão chocada quanto me sentia, porque Dee começou a rir da minha expressão enquanto estava ao meu lado.
— Você pode nos ensinar, Lila? — Uma das crianças perguntou novamente.
Sempre tive um carinho especial por crianças e dizer não a elas não parecia certo para mim. Ao olhar ao redor para todos os rostos ansiosos, sabia que seria impossível recusar isso a eles.
— Claro, eu vou ensinar vocês. — Eu disse a eles.
Para minha surpresa, todos começaram a aplaudir e a torcer. Meu rosto ficou incrivelmente quente com a atenção repentina que estava recebendo.
Enzo foi ajudar alguns dos homens da matilha a montar os equipamentos antes que a venda de bolos começasse.
Fiquei surpresa que as crianças não estivessem pedindo para Enzo ser o professor delas. Ele era incrivelmente habilidoso em combate e ele era o Alfa delas.
Olhei para o Enzo ao longe e pensei que ele não estava prestando atenção em mim, mas para minha surpresa vejo seus olhos vagando na minha direção.
Suas sobrancelhas se juntaram de tal forma que eu ri em voz alta; eu sabia que isso o incomodaria.
Virei as costas para ele para encarar as crianças.
— Vamos escolher um dia e eu irei ensinar a vocês tudo o que sei sobre luta. — eu disse a eles.
Eles olharam uns para os outros antes de começarem a gritar dias aleatórios da semana.
— Terça-feira!
— Sexta-feira!
— Não, sábado!
Um sorriso se formou em meus lábios.
— Que tal domingo? — Eu sugeri.
Domingo seria o melhor momento, porque geralmente não tenho aulas ou lições de casa.
— Ok! — Todos disseram em uníssono com mais aplausos e risadas.
— Ok, crianças. Deixem os adultos terminarem de preparar a venda. — Dee disse, aproximando-se da grande mesa onde os produtos assados estavam — Vão brincar.
— Ok, Senhorita Deanna! — Alguns deles disseram enquanto corriam em direção ao parquinho.
— Adeus Dee! Adeus, Lila! — Os outros disseram enquanto também saíam correndo.
Fiquei olhando para eles por um bom tempo, balançando a cabeça com desânimo estampado em meu rosto.
— É lindo que eles te admirem. — Dee riu.
— É surreal. — Eu disse em resposta. Olhei de volta para o Enzo, que não estava mais me olhando — Mas por que Enzo não me disse que todos estavam falando sobre isso?
Dee franziu a testa e olhou na direção de Enzo.
— Acho que ele não sabia. Ele tem estado em seu próprio mundo nos últimos dias. — Ela explicou.
Virei-me para a Dee.
— Por causa de sua mãe?
Ela parou o que estava fazendo, eu podia dizer que esse não era um assunto que ela queria falar. O que havia sobre a mãe de Enzo que comprava o silêncio de todos?
Dee suspirou eventualmente e olhou para mim de soslaio.
— Enzo sempre foi muito próximo de sua mãe. qQuando soube que ela estava ferida, isso o destruiu. Então, não o culpo por estar em seu próprio mundo. — Ela explicou.
— Se ele era tão próximo de sua mãe, por que ele não mencionou muito sobre ela? — Eu perguntei.
Estava achando difícil acreditar que ele realmente era tão próximo dela se não fala muito sobre ela. Sou próxima de ambos os meus pais e falo sobre eles o tempo todo.
Claro, não digo isso. Apenas espero pacientemente para Dee falar novamente.
— Enzo não fala muito sobre a família. — Dee disse.
Ela não estava mais me olhando. Ela estava escondendo algo.
— Não leve para o lado pessoal. —
— Não estou levando para o lado pessoal. — eu digo.
Eu a deixaria dormir na casa da matilha esta noite, mas amanhã, ela precisava voltar para a escola.
A viagem de volta para a casa da matilha foi tranquila. Lila olhava pela janela. Ela estava pensando em algo.
Como eu gostaria de descobrir o que era.
Pare com isso, Enzo. Você não pode ir por esse caminho.
Me repreendi.
Estacionei o carro na frente da casa da matilha e ela saiu rapidamente. Parecia que ela estava tentando me evitar de propósito.
Ela entrou na casa como se fosse dona do lugar e foi direto para as escadas, eu a segui, um pouco relutante. Ao chegar ao último degrau, ela caminhou em direção ao quarto em que estava da última vez que esteve lá.
Ela se lembrava bem do caminho por este lugar.
Acho que ela não percebeu que eu a estava seguindo, porque assim que chegou à porta e pegou na maçaneta, segurei seu braço para impedi-la e ela olhou para mim assustada..
— Enzo? — Ela falou — Não percebi que você estava aqui. Estava me seguindo?
— Por que você veio aqui? — Perguntei a ela, mantendo o meu tom baixo e meu aperto em seu braço firme.
Ela estreitou os olhos para mim enquanto pensava no que dizer.
— Já te disse... porque você não estava na aula e…
— Por que você realmente veio? — Meu tom era duro, eu estava ciente disso.
Sua respiração ficou pesada enquanto mantinha os olhos fixos nos meus.
— Eu estava preocupada... — ela admitiu apenas num sussurro.
Estávamos a apenas centímetros de distância, olhei para os seus lábios carnudos que estavam ligeiramente entreabertos. Nossa respiração se tornou uma só.
— Você é incrivelmente burra para vir aqui sozinha...
— Você... está dizendo que estava preocupado? — Ela perguntou, seu nariz e área das bochechas ficaram coradas e a sua voz saiu sem fôlego.
Pressionei o meu corpo contra o dela até que ela ficasse presa entre mim e o batente da porta. Ela não parecia se importar, ou pelo menos, não lutou contra mim.
Ela olhou para os meus lábios, ela tinha um brilho nos olhos, silenciosamente ela me dava permissão.
Isso estava errado em tantos níveis, mas naquele momento, eu não me importava.
Me inclinei e a beijei.

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