Ponto de Vista de Lila
Não consigo acreditar que me distrai tanto a ponto de apresentar o retrato de Enzo como meu projeto na aula.
Ele nunca vai me perdoar por isso.
Talvez se eu trocasse os retratos depois do horário.
Eu estava sentada na sala dos estudantes, que estranhamente estava vazia e pude reunir meus pensamentos. Estava fazendo algumas tarefas, mas achei difícil me concentrar.
Ainda não tinha ouvido nada de Enzo durante toda a manhã e toda a tarde e comecei a me perguntar se ele ia voltar.
Ele tinha que voltar, eu ainda tinha o retrato dele.
Ele iria querer de volta para poder dar para a mãe dele.
A menos que algo tenha acontecido...
Justo quando eu estava prestes a pegar o meu celular, senti a presença dele. Seu cheiro percorreu a sala fazendo meu coração acelerar.
Val ergueu a cabeça, cheirando o seu perfume que se tornava mais intenso.
Virei e o vi dando passos largos pela sala em minha direção. Minha boca ficou aberta quando sua aura praticamente brilhava ao redor dele. Seus olhos escuros penetraram em mim e vi um sorriso surgindo em seus lábios.
Como era possível ele ficar ainda mais atraente toda vez que o via?
— Vamos... vamos nos atrasar! — Ele falou como se tivéssemos tido uma conversa anterior.
Franzi a testa, estreitando os olhos para ele.
— Atrasados para o quê?
Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso com minha pergunta.
— Não te contaram?
— Contar o quê?
— O conselho escolar terá um julgamento esta noite. Tenho evidências de que foi a Sarah que te envenenou. Seu pai estará presente assim como o dela. Você deveria ter sido informada uma hora atrás quando tudo foi resolvido. Precisamos que você testemunhe.
Levantei rapidamente, olhando para as calças e blusa que estava vestindo. Certamente não estava vestida para um julgamento.
Não podia acreditar que não fui informada disso.
Quem deveria me contar?
Antes que eu pudesse perguntar, Enzo revirou os olhos.
— Vamos. Não podemos nos atrasar para isso.
Assenti e o segui para fora da sala e pelos corredores.
O tribunal do campus ficava do outro lado do terreno da escola e em um prédio separado. Não temos um juiz de verdade, então o conselho é quem decide quem é inocente e culpado e qual será a punição.
Quando entrei no tribunalseguindo Enzo, meus olhos caíram sobre a Sarah na frente da sala. Ela estava sentada em uma cadeira ao lado de um homem grande que se apresentou como alguém importante.
Claro, eu sabia que ele era o pai dela.
Meu pai estava do outro lado do tribunal perto do conselho escolar, que estava sentado em uma fileira de cadeiras na cabeça do tribunal.
Os olhos do meu pai caíram sobre mim, e ele me deu um sorriso pequeno e tranquilizador que me acalmou.
Enzo caminhou comigo até eu sentar na cadeira ao lado do meu pai, entregando a ele uma pasta que eu presumi ser as evidências, antes de caminhar para o outro lado da sala.
— Lila, obrigado por se juntar a nós. — disse um dos membros do conselho, olhando para mim.
— Obrigada. Fui informada sobre este julgamento há apenas alguns momentos atrás. — Expliquei.
— Lila, pedimos que você nos conte a verdade sobre a noite do seu aniversário. Você se lembra claramente daquela noite?
— Sim. — Disse com um aceno de cabeça, olhando para a Sarah — Lembro-me de tudo.
— Então, nos conte como foi a sua noite.
— Começou incrível. Estava com a família e amigos para celebrar o meu 18º aniversário. Nem sabia que a Sarah e o meu ex-namorado estavam lá. Mas mesmo assim, não me importaria. O pai do meu ex é um Alfa e também estava presente. Não acharia estranho vê-los. Conforme a noite avançava, comecei a me sentir extremamente doente. Tontura, náusea, falta de ar, batimentos cardíacos acelerados e febre. Pensei que ia desmaiar. Também estava sentindo uma estranha confusão, como um pouco bêbada, mas só tinha tomado alguns goles de vinho.
Parei por um momento enquanto reunia meus pensamentos. O tribunal permanecia em silêncio enquanto eu continuava.
— Então, minha mãe me levou para a cama e chamou o médico. — Continuei — Me disseram que fui envenenada. Foi quando descobri por uma terceira pessoa que a Sarah também estava na festa. Mas não tínhamos provas de que foi ela que me envenenou...
O conselho olhou para o meu pai. Ele tinha a pasta que o Enzo lhe tinha dado em suas mãos.
Percebi que Enzo já tinha ido embora e não pude evitar o vazio que senti no fundo do meu estômago. Mais uma vez, ele partiu sem dizer uma palavra para mim.
Por que ele continuava fazendo isso?
...
POV de Enzo
Não havia motivo para ficar na sala do tribunal depois daquele veredicto. Nunca havia sentido essa onda de fúria antes.
— É porque aquele idiota do pai da Sarah é basicamente o dono da escola. Então, foram passivos com ela! — sibilou Max.
Voltei para o centro da academia, eu queria desabafar na arena. Se não fizesse isso, alguém ia se machucar.
— Alfa Enzo! Você tem um momento?
Parei quando vi a professora de Arte, Miss Grace, em pé do lado de fora de sua sala de aula. Eu realmente não queria ter uma conversa com ninguém, mas não tinha uma desculpa real para dar a ela.
— Claro. — Respondi juntando-me a ela em sua sala de aula.
— Só queria agradecer por ser tão gentil com uma das minhas alunas, Lila. Ela realmente admira você e eu admiro isso tanto. Para ser sincera, fiquei um pouco surpresa por você a deixar pintar o seu retrato para o projeto dela. E ficou uma obra prima!
Franzi a testa.
— Do que você está falando? Pintar-me?
Ela estreitou os olhos, uma expressão de desaprovação se formando em seus lábios.
— Hum, sim. — ela disse, franzindo a testa. — Você não deu permissão para ela pintar você? Ela disse que você estava ciente e a encorajou.
— Me mostre.
Houve uma hesitação por um momento, mas então ela virou e caminhou em direção à fileira de pinturas cobertas até chegar a uma das maiores no centro.
Ela revelou a pintura e o meu coração afundou no estômago ao vê-la.
Era a minha pintura.
Era meu retrato.

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