Era um rosto refinado e extremamente puro.
O rosto oval e sem maquiagem exibia uma palidez doentia, mas a pele era clara e delicada como porcelana.
Os olhos amendoados e úmidos eram tão puros que não continham nenhum traço de malícia.
Os cabelos longos e levemente ondulados caiam em cascata até a base de suas costas.
Apesar das roupas vulgares que vestia, a aura que emanava dela era uma mistura de inocência e sensualidade.
Suas feições eram infantis.
Parecia uma universitária de pouco mais de vinte anos.
Mas estava tão magra que dava pena.
Por alguma razão, olhar para ela lhe trazia uma sensação inexplicável de familiaridade.
— Quantos anos a Dra. Aragão tem?
Arrepiada sob o olhar ardente dele, e ao ouvir a pergunta sobre a idade, Alba se encolheu nervosamente um pouco mais na cama:
— Vinte e sete.
Ela acrescentou um ano.
Porque a Alba em sua identidade tinha vinte e sete anos.
— Não parece.
— O Sr. Soares também parece bem velho.
— Também?
O homem deu um meio sorriso.
— Eu acho que você parece jovem, mas você me acha velho?
— ...
Alba mordeu o lábio.
Estava tão nervosa que falou sem pensar.
O Jefferson de agora era imponente, ainda mais frio e deslumbrante do que há seis anos.
Não estava nada velho...
Vendo-a encolhida, numa postura defensiva como se protegesse de um lobo, Jefferson achou graça e puxou o canto dos lábios.
Ele mesmo estava surpreso por estar jogando conversa fora com uma mulher desconhecida.
Ele apagou a ponta do cigarro, jogou-a na lixeira e foi direto ao ponto:
— Dra. Aragão, você não entregou o vídeo à polícia só para ter uma moeda de troca na negociação, certo? Já que está atrás de dinheiro, dê o seu preço, eu compro.
Sentindo-se humilhada por tal acusação, Alba se irritou:
— Porra, eu sou algum tipo de vírus? Só de me ver ela já vomita?
Miguel franziu as sobrancelhas, num misto de irritação e graça.
Jefferson não lhe deu atenção e a seguiu até o banheiro.
Sem ter comido quase nada o dia todo, Alba não vomitou muita coisa.
Era puramente nojo.
Até que a náusea no estômago diminuiu um pouco, ela se levantou e caminhou até a pia com as pernas trêmulas.
Abriu a torneira e jogou um punhado de água fria no rosto.
Ao levantar a cabeça, porém, viu no espelho o rosto frio e opressivo de Jefferson.
As mãos apoiadas na pia se contraíram aos poucos.
Alba cruzou o olhar com ele no espelho.
Ele também a observava em silêncio.
Após dois segundos de confronto, ela cedeu, virou-se e tentou escapar de sua visão rapidamente, mas Jefferson estendeu a mão e agarrou seu pulso fino:
— Está sentindo mais alguma coisa?
Alba tentou se soltar, mas parou ao notar algo sob o punho da camisa do homem: uma pulseira de fio vermelho com um amuleto de pêssego.

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