Já passava das dez da noite.
Fazer Gabriela vir até ali levaria pelo menos uma hora.
Voltar a pé... ela temia que o sol nascesse antes de chegar em casa.
Só então ela compreendeu por que ele a deixara partir com tanta facilidade, tanto na primeira vez quanto agora.
Ele sabia muito bem que, sem a sua ajuda, ela não conseguiria sair do Bosque dos Ipês.
Alba cerrou os dentes.
Sem margem para teimosia, caminhou até o carro, abriu a porta e entrou.
Sentou-se, mais uma vez, no banco próximo à janela.
Nenhum dos dois disse uma palavra. O silêncio dentro do espaço limitado do veículo tornou-se opressivo.
Parecia que o único som audível era o batimento cardíaco e a respiração suave de cada um.
Pouco tempo depois de o carro começar a andar, Jefferson abaixou o vidro da janela.
O vento frio e cortante invadiu o interior, fazendo-a estremecer por inteiro.
Instintivamente, ela apertou a gola de seu casaco grosso.
Foi forçada a virar a cabeça, seguindo o olhar dele em direção ao exterior do veículo.
A noite lá fora estava escura, e antes que ela pudesse distinguir o que ele observava com tanta atenção, ouviu a ordem direcionada a Murilo:
— Pare o carro.
Assim que o veículo parou suavemente no acostamento, Jefferson abriu a porta e, com sua postura alta e pernas longas, desceu.
Logo em seguida, a porta do lado dela foi aberta.
A voz do homem, mais úmida e fria do que a própria noite, ecoou sobre ela:
— Desça.
Alba franziu a testa e olhou para ele.
Ele permanecia firme como uma rocha, com um braço apoiado na porta do carro, tão imponente e opressivo quanto uma montanha.
Incapaz de resistir à aura dominadora que ele exalava, ela obedeceu e desceu do carro.
Quando seus pés tocaram o chão, Jefferson tirou o próprio casaco e o colocou sobre os ombros dela.
— Caminhe um pouco comigo.
— ...
Um passeio no meio da noite?
Ela ficou atônita. O vento gélido da serra batia no seu rosto, causando dor.



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