— Querida, aconselho que seja realista.
Falando nisso, Miguel tirou outro documento da maleta:
— Assine mais este termo de acordo e adicione cinquenta mil reais para despesas médicas. Cem mil em uma única noite é mais do que você ganha em um ano na Capital & Compliance Advogados. Assim, nem precisará mais fazer bicos cansativos. Por que não aceitar?
Alba mordeu os lábios com força.
Nem a injustiça ou a raiva superavam a profunda sensação de impotência daquele momento.
Ela não tinha medo de comprar briga com ninguém.
Mas logo foi cruzar o caminho de Jefferson, a pior pessoa possível para se ter como inimigo.
Ele era a maldição de sua vida.
Que seja.
Ela se rendia.
Pegou a caneta que Miguel estendeu, assinou rapidamente e empurrou o acordo de volta.
Miguel apontou para o outro documento sem assinatura:
— Não vai querer os cinquenta mil das despesas médicas?
— Vocês me dão nojo, pelo menos preciso de um pingo de dignidade por causa desse ferimento.
— Dignidade não enche barriga.
Miguel deu um sorriso irônico:
— Cinquenta mil não é suficiente? Diga o seu preço.
Ao dizer isso, ele estalou a língua na direção de Jefferson:
— O Sr. Soares é tão rico que só lhe restou dinheiro.
Alba:
— Cinquenta milhões.
— Se ele der, você tem coragem de pegar?
— É melhor que ele não dê.
— Fim de papo, então?
— Você é surdo?
— ...
Miguel riu de ser contrariado.
— A Dra. Aragão tem uma língua afiada. A sua performance no tribunal deve ser ainda mais bonita de se ver.
— Obrigada pelo elogio. Aguardo ansiosamente pelo dia em que o Dr. Miranda sentar no banco dos réus para que eu possa apreciar de perto.
— Haha!
Miguel gargalhou alto.
Mas Jefferson apenas observava a eloquente Alba com os olhos cheios de confusão.
O estado dela ali, focada, era de uma determinação inabalável.
Completamente diferente da imagem nervosa e encolhida que ela apresentava diante dele...
O homem estreitou levemente os olhos.
Ela... parecia ter muito medo dele?
Sentindo o peso do olhar afiado de Jefferson, os nervos de Alba se tensionaram instintivamente.
Ela só queria acabar logo com aquela disputa.
Alba não entendeu a malícia naquelas palavras.
Miguel adorava provocar as que pareciam puras e inocentes, sorrindo com um ar de cafajeste elegante:
— Linda, tem namorado?
Alba ia dizer que não, mas pelo canto do olho percebeu o olhar de Jefferson sobre ela e mudou a resposta:
— Tenho.
O movimento de Jefferson fumando parou por uma fração de segundo.
Um pedaço de cinza caiu em seu dedo, causando uma dor incômoda que o fez franzir a testa.
Miguel, alheio a isso, continuou se divertindo:
— O seu namorado deve ser um completo inútil para deixar uma beleza como você fazer bico em boate. Melhor chutar o cara e ficar comigo.
Alba fechou a cara:
— Cale a boca, por favor, ou vou acabar vomitando de novo.
— ...
Miguel passou a mão no rosto, incrédulo.
Droga, pela primeira vez na vida estava sendo rejeitado por uma mulher.
Que constrangedor.
Ele ergueu o queixo de forma brincalhona na direção de Jefferson:
— Não me acha bom o suficiente? E quanto a ele? Com esse patrimônio e essa cara, acho que serve, não?
Alba franziu o cenho:
— Ele é casado!

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