Miguel tocou os hematomas em seu rosto.
Achou que foi sorte ter levado apenas um soco.
Desde a morte de Stella, Jefferson parecia doente. Bastava encontrar uma mulher parecida com ela que ele ficava obcecado.
E ainda por cima...
Miguel suspirou e deu um tapinha no ombro dele:
— Ela está morta há seis anos, deixa isso pra lá.
Nesse momento, um Bugatti se aproximou, e Miguel passou o braço pelo ombro de Jefferson:
— Vamos beber alguma coisa?
Jefferson empurrou o braço dele:
— Tenho coisas para fazer.
— Que coisas, a essa hora da noite?
— Não é da sua conta.
Miguel estalou a língua, entrou no carro e foi embora.
Logo em seguida, um Rolls-Royce preto encostou.
Murilo desceu, abriu a porta traseira e assentiu respeitosamente:
— Sr. Soares.
Depois de entrar no carro, através da janela, Jefferson olhou distraidamente na direção do hospital.
E avistou uma silhueta esbelta saindo pela porta principal.
...
Quando Alba saiu do hospital, já eram dez da noite.
O vento gelado daquela madrugada atípica batia no rosto dela como um tapa, frio e dolorido.
Ela usava roupas finas que deixavam o decote e as pernas de fora.
As costas também estavam expostas.
E ela caminhava descalça.
Tiritando de frio.
O salto agulha dos sapatos que estavam em sua bolsa tinha quebrado, tornando-os impossíveis de calçar.
Mas ela não teve coragem de jogá-los fora.
Se mandasse colar o salto num sapateiro depois, ainda poderiam ser usados.
A casa que ela alugava ficava em uma comunidade na periferia, a mais de dez quilômetros do centro da cidade.
Se pegasse um ônibus ou metrô vestida daquele jeito, com certeza as pessoas a olhariam torto.
Mas se fosse pegar um aplicativo...
Daria uns trinta a trinta e cinco reais.
O equivalente a dois dias de alimentação.
Alba olhou para o cartão bancário apertado em sua mão e balançou a cabeça.
Nisso, Alba tinha muita experiência.
Afinal, ela costumava ficar com senhorinhas em mercadinhos esperando a hora das promoções de carnes e ovos...
Ela avaliou os bolos que, mesmo com desconto, ainda eram muito caros, hesitou um pouco e acabou escolhendo um modelo em promoção. Foi até o caixa para pagar.
— Vinte reais no total. Dinheiro ou cartão?
— Vou pagar no Pix.
Alba pegou o celular, mas quando se preparou para pagar, percebeu que... o aparelho estava sem bateria.
— Então...
O rosto dela corou de vergonha:
— Desculpe... a bateria do meu celular acabou. Não consigo pagar agora. Vou deixar para outra hora...
A atendente franziu a testa:
— Não aceitamos devolução de bolos na promoção! Além disso, eu já embalei. Para quem você quer que a gente venda agora?
— ...
Alba segurou o celular, extremamente constrangida.
Justo quando estava em dúvida se deveria ou não usar o cartão bancário que havia ganhado, um cheiro familiar e fresco de bosque envolveu o ar logo atrás dela.
Em seguida, uma mão grande e de pele clara, com dedos longos, passou por cima do ombro dela, segurando um celular que escaneou o código de pagamento na maquininha.
Ao mesmo tempo, a voz indiferente de um homem soou logo acima de sua cabeça:
— Pode cobrar de mim.

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