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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 14

Miguel tocou os hematomas em seu rosto.

Achou que foi sorte ter levado apenas um soco.

Desde a morte de Stella, Jefferson parecia doente. Bastava encontrar uma mulher parecida com ela que ele ficava obcecado.

E ainda por cima...

Miguel suspirou e deu um tapinha no ombro dele:

— Ela está morta há seis anos, deixa isso pra lá.

Nesse momento, um Bugatti se aproximou, e Miguel passou o braço pelo ombro de Jefferson:

— Vamos beber alguma coisa?

Jefferson empurrou o braço dele:

— Tenho coisas para fazer.

— Que coisas, a essa hora da noite?

— Não é da sua conta.

Miguel estalou a língua, entrou no carro e foi embora.

Logo em seguida, um Rolls-Royce preto encostou.

Murilo desceu, abriu a porta traseira e assentiu respeitosamente:

— Sr. Soares.

Depois de entrar no carro, através da janela, Jefferson olhou distraidamente na direção do hospital.

E avistou uma silhueta esbelta saindo pela porta principal.

...

Quando Alba saiu do hospital, já eram dez da noite.

O vento gelado daquela madrugada atípica batia no rosto dela como um tapa, frio e dolorido.

Ela usava roupas finas que deixavam o decote e as pernas de fora.

As costas também estavam expostas.

E ela caminhava descalça.

Tiritando de frio.

O salto agulha dos sapatos que estavam em sua bolsa tinha quebrado, tornando-os impossíveis de calçar.

Mas ela não teve coragem de jogá-los fora.

Se mandasse colar o salto num sapateiro depois, ainda poderiam ser usados.

A casa que ela alugava ficava em uma comunidade na periferia, a mais de dez quilômetros do centro da cidade.

Se pegasse um ônibus ou metrô vestida daquele jeito, com certeza as pessoas a olhariam torto.

Mas se fosse pegar um aplicativo...

Daria uns trinta a trinta e cinco reais.

O equivalente a dois dias de alimentação.

Alba olhou para o cartão bancário apertado em sua mão e balançou a cabeça.

Nisso, Alba tinha muita experiência.

Afinal, ela costumava ficar com senhorinhas em mercadinhos esperando a hora das promoções de carnes e ovos...

Ela avaliou os bolos que, mesmo com desconto, ainda eram muito caros, hesitou um pouco e acabou escolhendo um modelo em promoção. Foi até o caixa para pagar.

— Vinte reais no total. Dinheiro ou cartão?

— Vou pagar no Pix.

Alba pegou o celular, mas quando se preparou para pagar, percebeu que... o aparelho estava sem bateria.

— Então...

O rosto dela corou de vergonha:

— Desculpe... a bateria do meu celular acabou. Não consigo pagar agora. Vou deixar para outra hora...

A atendente franziu a testa:

— Não aceitamos devolução de bolos na promoção! Além disso, eu já embalei. Para quem você quer que a gente venda agora?

— ...

Alba segurou o celular, extremamente constrangida.

Justo quando estava em dúvida se deveria ou não usar o cartão bancário que havia ganhado, um cheiro familiar e fresco de bosque envolveu o ar logo atrás dela.

Em seguida, uma mão grande e de pele clara, com dedos longos, passou por cima do ombro dela, segurando um celular que escaneou o código de pagamento na maquininha.

Ao mesmo tempo, a voz indiferente de um homem soou logo acima de sua cabeça:

— Pode cobrar de mim.

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