Ao terminar de falar, ela tirou o celular da bolsa, virou o corpo de lado e fingiu ligar para a polícia:
— Alô, é o 190? Eu estou sendo...
Antes que ela pudesse terminar a frase, o homem agitou as mãos apressadamente:
— Tá bom, tá bom! Precisa disso tudo por causa de um carro velho? Eu peço desculpas, está bem?
Após o pedido de desculpas a contragosto, o homem fugiu correndo.
Alba bateu levemente no peito que ainda tremia e soltou um longo suspiro de alívio.
Suas palmas estavam suadas.
Embora a razão estivesse do seu lado, enfrentar um homem de forma tão ríspida a altas horas da noite a deixava, no fundo, apavorada.
De repente, um estrondo surdo soou atrás dela.
Alba se virou para olhar.
O coração, que começara a se acalmar, saltou novamente para a garganta.
Aquele homem, que saíra ileso, agora estava desmaiado no chão, com o rosto esborrachado.
O pior de tudo é que, ao lado dele, estava... Jefferson.
E ela não fazia ideia de há quanto tempo ele estava ali...
Naquele momento, o olhar dele era frio e silencioso, fixo nela sem piscar.
Um olhar que fez um calafrio percorrer todo o corpo de Alba.
Ela baixou os cílios ligeiramente, apontou para o homem inconsciente no chão e tentou se isentar de culpa:
— Ele... acho que isso não tem nada a ver comigo.
— Hum...
Jefferson pisou no rosto ensanguentado do homem e caminhou em direção a ela com passos largos, a expressão tão indiferente que não continha um pingo de emoção humana:
— Também não tem nada a ver comigo.
— ...
Alba ficou aterrorizada!
Chegou até a ouvir o som de ossos nasais se partindo.
Aquela brutalidade implacável era ainda mais perigosa do que há seis anos!
Ela não queria ter a menor ligação com ele e tentou desviar de seu caminho para ir embora.
No entanto, ao passarem um pelo outro, o pulso fino e pálido de Alba, enrijecido pelo vento noturno, foi agarrado bruscamente pela mão grande, bela e esguia do homem.
A palma da mão dele estava quente, tocando sua pele, mas causando-lhe um profundo desconforto físico.
Especialmente ao notar as manchas de sangue nas costas da mão dele, Alba se assustou e se soltou com força.
Foi então que entendeu: o homem no chão não havia tropeçado e caído; ele havia sido nocauteado por Jefferson!


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