Momentos antes, Miguel tinha ligado em pleno surto de embriaguez, despejando um monte de bobagens sem sentido.
Ela desligou na cara dele, mas ele não parava de ligar.
Olhando para o relógio, já passava das onze da noite.
Alba sempre teve problemas com insônia e, agora que tinha sido despertada, precisaria recorrer a um calmante para conseguir dormir de novo.
Naquele momento, vendo que uma nova sequência de ligações começava, Alba não hesitou e bloqueou o número de Miguel.
...
No dia seguinte, de manhã cedo.
Jefferson acordou no sofá do quarto do hospital.
Na noite anterior, ao sair do clube, ele não tinha voltado para a mansão; foi direto ao hospital fazer companhia à filha.
O galo na cabeça de Bruna já tinha desinchado, mas, ao analisarem os exames de imagem, os médicos identificaram uma leve concussão e, por isso, recomendaram que ela continuasse em observação.
— Senhor, já acordou. — Renata, que tinha trazido o café da manhã, percebeu que Jefferson havia despertado e apontou para uma bolsa sobre o criado-mudo: — Trouxe roupas limpas para o senhor trocar.
O homem lançou um olhar para a cama onde Bruna ainda dormia profundamente e perguntou de forma casual:
— Onde está a Adelina?
Renata respondeu:
— A Sra. Adelina Botelho recebeu uma ligação da tia bem cedo e saiu às pressas.
A expressão de Jefferson congelou por um instante. Ele apertou levemente a região entre os olhos para aliviar o peso na cabeça, pegou a bolsa e foi ao banheiro para tomar banho e se arrumar.
Quando saiu, Bruna já estava acordada.
— Papai...
A pequena Bruna estava sentada na cama do hospital, parecendo ainda mais frágil. Abriu os bracinhos, pedindo colo com uma voz dengosa.
Jefferson se aproximou, acolheu a filha em um abraço protetor e perguntou em tom suave:
— Está com fome?
Bruna assentiu com a cabeça.
Renata arrumou o café da manhã na mesinha ao lado do sofá.
Jefferson ajudou a filha com a higiene matinal, tomou café com ela e depois foi ao consultório do médico para se informar melhor sobre o quadro clínico da menina.
O médico o tranquilizou, dizendo que não era nada grave e que, depois de mais um dia de observação, ela teria alta.
Jefferson voltou ao quarto, recomendou a Renata que cuidasse bem de Bruna e saiu do hospital direto para a empresa.
Quando chegou ao escritório, já passava das nove da manhã.

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