Jefferson se levantou e caminhou até ela.
— Eu te levo.
— Não precisa, obrigada.
O homem franziu a testa, tirou uma chave do bolso e a estendeu para ela:
— O lugar onde você mora não tem boas condições. Este é um apartamento que preparei para você. Mude-se para lá.
Alba empurrou a chave de volta com frieza:
— Não precisa se preocupar com isso, Sr. Soares. Eu já estou acostumada a morar aqui.
Jefferson tornou a enfiar a chave na mão dela:
— Não seja teimosa. Se não quer pensar em si mesma, pelo menos deveria pensar em dar um ambiente melhor para as crianças, não acha?
Aquela frase a atingiu em cheio, como agulhas finas e implacáveis.
Durante todos aqueles anos, ela realmente tinha feito de tudo para sustentar os filhos.
Mas a situação financeira continuava apertada.
Ela também queria oferecer uma vida melhor para eles. No entanto, a realidade era que, com o salário que tinha, sustentar uma criança já seria difícil; criar três significava arcar com o triplo das despesas de uma família comum. O custo de vida era alto demais.
Se não fossem os trabalhos extras que fazia para complementar a renda, ela e as crianças teriam dificuldade até para comer.
Agora, qualquer pessoa podia opinar sobre a vida dura que ela levava, menos Jefferson.
Alba devolveu a chave mais uma vez:
— Se a minha vida é boa ou ruim, isso não é da sua conta, Sr. Soares.
Depois de dizer isso, ela o empurrou para fora com toda a força e bateu a porta na cara dele.
Em seguida, seu corpo frágil se encostou à porta e escorregou lentamente até o chão, sem forças.
Ela ficou sentada ali, apática, abraçando os joelhos e escondendo o rosto entre as pernas.
Quando a dor em seu peito chegou ao limite, as lágrimas começaram a transbordar, umedecendo aos poucos o tecido de sua roupa.
O que ela não sabia era que, do outro lado da porta, Jefferson não tinha ido embora.

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