— Mentirosa!
Jefferson desferiu um soco pesado na mesa ao lado dela.
— Como você pode gostar do Miguel? Faz quanto tempo que vocês se conhecem?
Alba respirou fundo e revidou:
— Sr. Soares, e há quanto tempo nós nos conhecemos? Mesmo assim, o senhor continua me pressionando para ficar ao seu lado. Já disse mais de uma vez que não sinto nada pelo senhor e não quero me envolver! Por acaso respeitou a minha vontade em algum momento?
O homem trincou os dentes:
— Então você escolheu ficar com o Miguel só para fugir de mim?
Alba virou o rosto:
— O Dr. Miranda e eu nos damos muito bem. Mesmo que o senhor não existisse, acho que eu ainda... Hum!
O resto da frase foi devorado por um beijo agressivo do homem.
Ela nunca imaginou que, mesmo depois de ser tão direta, ele ainda teria a audácia de desrespeitá-la daquela forma.
Diferente dos beijos dominadores de antes, desta vez parecia que ele queria destruí-la.
Alba suportava o beijo de forma passiva, sentindo que quase morreria em seus braços, até que o toque de um celular quebrou a atmosfera sufocante.
Ela o empurrou, tirou o aparelho do bolso e, antes mesmo de ver quem era, Jefferson o arrancou de suas mãos.
Ao bater os olhos no nome “Miguel” brilhando na tela, o homem sentiu como se tivesse levado um balde de água gelada e a soltou.
Porém, não devolveu o celular. Bem na frente dela, atendeu a ligação e ativou o viva-voz.
Alba ergueu a mão para limpar os lábios levemente inchados, encarando Jefferson com olhos marejados e cheios de ressentimento.
O olhar de Jefferson era frio e severo, fixo nela.
Ele parecia buscar alguma confirmação, aguardando em silêncio que Miguel dissesse a primeira palavra.
Alba também estava tensa.
Não fazia ideia do motivo de Miguel estar ligando de repente e temia que, ao abrir a boca, ele revelasse que o namoro dos dois era uma farsa.
Se isso acontecesse, toda a mentira que acabara de contar para Jefferson não teria servido para nada.

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