Assim que as palavras saíram, a própria Alba congelou.
Sentiu vontade de dar um tapa na própria cara.
O pânico em seu rosto era visível.
No segundo seguinte, seu pulso fino foi agarrado com força, e a voz fria e profunda do homem soou acima de sua cabeça:
— Como você sabe que eu sei língua de sinais?
Quase ninguém sabia que ele dominava língua de sinais.
E ele nunca a usara em público.
Como Alba poderia saber?
A semente da dúvida que estava enterrada no fundo de seu coração começou a brotar silenciosamente naquele instante.
Ele a encarava com um olhar afiado, como se quisesse arrancar todas as camadas de disfarce daquela mulher apavorada.
Murilo também olhava para Alba cheio de suspeita.
Alba sentiu um aperto doloroso no peito.
Demorou um bom tempo até conseguir se acalmar e arranjar uma desculpa:
— Eu... ouvi o Dr. Miranda comentar.
Jefferson a encarou com ceticismo por alguns segundos antes de soltá-la.
Ao notar as marcas nítidas dos dedos no pulso pálido da mulher, inevitavelmente se lembrou da cena de Miguel puxando Alba pelo pulso para dentro do carro na noite anterior.
Uma onda de irritação tomou conta dele.
Sua expressão ficou ainda mais fechada.
— Pelo visto, o relacionamento da Dra. Aragão com Miguel está avançando rápido. Já chegaram ao ponto de compartilhar todos os segredos?
Dizendo isso, ele se inclinou na direção dela:
— E ele já te contou que eu sou uma pessoa extremamente vingativa? O que acontece com quem me apunhala pelas costas ou tenta me enganar, hum?
...
Aquilo era claramente um aviso para ela e para Miguel.
Alba abaixou os olhos e a cabeça, fingindo submissão, sem ousar dizer mais uma palavra.
Mas quanto mais silenciosa ela ficava, mais angustiado e furioso Jefferson se sentia.
Murilo estava tão assustado que mal ousava respirar.
Ele piscou discretamente para Alba, fazendo um sinal.
Só então Alba teve coragem de tirar o celular do bolso.
Ao olhar para a tela, viu que era Miguel.
Ela recusou a chamada imediatamente.
Queria abrir o WhatsApp para mandar uma mensagem para ele.
Mas, assim que desligou, ele ligou de novo sem perder tempo.
Sem escolha, ela virou levemente o corpo, apertou o botão para atender e, antes que pudesse dizer qualquer coisa, a voz alta e atrevida de Miguel saiu pelo alto-falante.
E também chegou aos ouvidos de Jefferson.
— Alba, peguei trânsito no caminho. Daqui a pouco, em mais ou menos meia hora, chego aí na empresa para te buscar.
Alba cobriu o celular com a mão e respondeu em voz baixa:
— Vou fazer hora extra hoje à noite, não precisa vir me buscar.
— Então com mais razão eu preciso te buscar. Se eu deixasse a minha mulher voltar para casa sozinha tarde da noite, seria um péssimo namorado!
— Até daqui a pouco. E, além disso, eu preciso bater um papo sério com Jefferson. Onde já se viu explorar funcionário desse jeito?
— Ainda mais sabendo que, fora da empresa, você é a cunhada dele!

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