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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 211

— O quê?

Gabriela não assimilou a informação de imediato.

Alba pegou o controle remoto e pausou a televisão:

— Essa identidade de Alba foi dada a mim pela sua mãe, a diretora Carvalho. Eu queria saber alguns detalhes sobre a verdadeira Alba. Você já a viu alguma vez?

Gabriela pensou por um instante antes de responder:

— Meus pais são divorciados. Antes dos dezesseis anos, eu morava em outro estado com o meu pai, então quase não ia ao orfanato.

— Acho que a vi uma ou duas vezes quando éramos crianças, mas já nem me lembro de como ela era. Minha mãe dizia que Alba foi a pessoa que melhor se saiu depois de sair de lá. Ela deixou o orfanato aos dezesseis ou dezessete anos para morar sozinha e ainda passou no vestibular por conta própria.

— Ela era muito solitária e quase não mantinha contato com o orfanato. Quando desapareceu, minha mãe chegou a procurar a polícia, mas não conseguiram encontrá-la. Há uns seis anos, minha mãe recebeu uma mensagem de despedida dela, dizendo que tinha se metido numa enrascada em um país distante e que estava morta...

Depois de ouvir aquilo, Alba ficou pensativa por alguns segundos antes de perguntar:

— E você alguma vez ouviu a diretora Carvalho comentar se ela... tinha namorado?

— Não.

Gabriela olhou para ela, confusa:

— Alba, por que você está perguntando sobre isso de repente?

Alba então contou tudo o que havia acontecido naquela noite com Matias.

Gabriela deu uma risada despreocupada:

— Ah, o que mais existe no mundo é gente com o mesmo nome e sobrenome. Até pessoas quase idênticas existem aos montes. Talvez a noiva desse Sr. Gomes só tivesse o mesmo nome que a Alba.

Ao ouvir isso, Alba sentiu que talvez estivesse paranoica demais.

Afinal, viver sob a identidade de outra pessoa sempre lhe trazia um certo peso na consciência.

— Gabriela, quando tiver um tempo, você pode perguntar à diretora Carvalho mais algumas coisas sobre Alba para mim?

— Alba, por que você está tão preocupada com isso? Está com medo de que esse Sr. Gomes desconfie de você?

perguntou Gabriela.

Alba balançou a cabeça:

— Não estou preocupada com Matias desconfiar da minha identidade. Meu medo é que Jefferson consiga arrancar alguma informação dele.

Naquela noite, Jefferson tinha percebido o conteúdo da conversa dela com Matias em língua de sinais.

A intimidade dele ao chamá-la de “Alba” lhe causou uma dor de cabeça instantânea.

Mas ela sabia que, se o proibisse de usar aquele nome, ele inventaria algo ainda mais meloso.

Então simplesmente o deixou falar o que quisesse.

Miguel parecia estar na rua, porque havia um pouco de barulho ao fundo.

Alba respondeu em tom frio:

— Aconteceu alguma coisa?

A voz provocativa de Miguel trazia um leve tom de insatisfação:

— Eu não pedi para você me mandar uma mensagem avisando que tinha chegado? Como você não deu sinal de vida, fiquei preocupado. Tive até que criar coragem para ligar e perguntar se estava tudo bem.

— Ah... eu já cheguei.

Alba realmente não sabia lidar com demonstrações de carinho vindas de alguém de quem não gostava. Depois de responder secamente, desligou na cara dele.

Mas, assim que se virou para voltar ao quarto, o telefone voltou a tocar, insistente, com outra ligação de Miguel.

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