Antigamente, quando os dois estavam juntos, a coisa de que ele mais gostava era reclamar de ir às compras.
Nas raras vezes em que saíam para o shopping, era só para ir ao cinema.
Mas, na maior parte dessas vezes, ela mal conseguia prestar atenção ao filme, porque ele a prendia nos braços e a beijava até deixá-la sem fôlego.
Ela se lembrou de uma ocasião em que foram a uma sala VIP.
Ele tinha reservado o cinema inteiro.
Os dois viveram um momento de pura paixão e intensidade naquelas poltronas reclináveis...
— Mamãe, o seu rosto está todo vermelho!
Elara esticou a mãozinha para tocar as bochechas coradas da mãe, olhando para ela com curiosidade.
Alba tossiu para disfarçar o constrangimento:
— O quarto está muito abafado hoje...
Assim que terminou a frase, ouviram batidas na porta.
Alba se levantou, foi até a entrada e, sem nem olhar pelo olho mágico, abriu a porta.
Ao ver Jefferson parado ali, seu rosto empalideceu como se tivesse visto um fantasma.
Ele usava um elegante sobretudo preto e calças escuras. O olhar era frio e severo. O contraste entre o corredor desgastado daquele prédio simples e a aura de sofisticação dele era gritante.
Isso o fazia parecer quase irreal.
Alba o encarou, paralisada:
— Sr. Soares, o que faz aqui?
Os lábios finos de Jefferson se entreabriram para falar, mas, de repente, Alba se lembrou de algo. Antes que ele pudesse dizer uma palavra, a porta bateu com um estrondo.
Ela tinha fechado a porta na cara dele.
— Alba, quem é?
Gabriela olhou para a porta e perguntou.
Ao perceber que as três crianças a encaravam com curiosidade, Alba usou a língua de sinais para avisar Gabriela:
[O pai das crianças está aqui...]
— ...
Gabriela deu um pulo da cadeira, agarrou uma das crianças com uma mão e puxou as outras duas com a outra. Correndo em direção ao quarto, falou de forma atrapalhada:
— Crianças, a gente vai chegar atrasado na escola! A madrinha vai trocar a roupa de vocês agora!
Os três pequenos foram empurrados para dentro do quarto sem entender absolutamente nada.
Alba pegou uma jaqueta no cabideiro, vestiu-a e abriu a porta novamente. Encontrou Jefferson com uma expressão tão sombria que parecia prestes a explodir.
— Sr. Soares... se precisava falar comigo, poderíamos ter conversado na empresa. Por que veio até aqui?
Dizendo isso, Alba pegou a bolsa em cima da sapateira, saiu e fechou a porta atrás de si.

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