Ainda intrigada com essa dúvida, Alba caminhou até os elevadores. Quando estava prestes a chamar o elevador de serviço, Jefferson, que já estava no elevador executivo, falou com voz rouca e firme:
— Venha aqui.
— Eu...
A recusa quase escapou por instinto, mas, ao encontrar o olhar frio e severo do homem, ela cedeu e entrou obedientemente.
Até conseguir sua demissão, deveria evitar irritá-lo ao máximo.
O elevador começou a subir suavemente, e Alba ficou parada, comportada, no canto atrás dele.
Ergueu levemente os olhos e o observou disfarçadamente.
Notou que os punhos da camisa dele estavam desalinhados, o casaco um pouco amassado e até as calças não tinham o vinco impecável de sempre.
Ele ainda vestia a mesma roupa do dia anterior.
Ficava claro que ele realmente tinha dormido no carro...
— Saia. Venha para a minha sala.
Enquanto estava perdida em pensamentos, o elevador já tinha parado no trigésimo primeiro andar.
Depois de dizer isso, Jefferson caminhou a passos firmes em direção ao escritório.
Alba o seguiu apreensiva e perguntou a Murilo:
— Você sabe se o Sr. Soares quer falar comigo sobre alguma coisa?
Naquele momento, ela estava apavorada perto de Jefferson.
Não por medo de levar uma bronca, mas por medo de que ele perdesse a cabeça e começasse a persegui-la.
Murilo, vendo a expressão desesperada dela, tentou tranquilizá-la:
— O Sr. Soares não parece estar de mau humor. Fique tranquila. Quando entrar lá, é só garantir que vai se comportar e ouvir o que ele disser.
— ...
Aquela dica não ajudava em nada.
Com o coração na mão, Alba entrou no escritório.
— Sr. Soares, o que o senhor deseja...?
Ela parou diante da mesa dele, de olhos baixos, dócil como uma ovelha.
No entanto, as mãos entrelaçadas com força revelavam todo o nervosismo que sentia.

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