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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 226

A mente de Jefferson ainda estava em total confusão.

Quando finalmente começou a processar a situação, as palavras daquelas crianças o atingiram em cheio, fazendo seu cérebro travar de vez.

Ele ficou sentado na cadeira, atônito. Por muito tempo, não disse uma só palavra, com uma expressão indecifrável no rosto.

Então Elara era filha de Alba.

E aqueles dois meninos também eram filhos dela?

Ela... tinha três filhos no total.

E as crianças tinham se passado pela mãe no WhatsApp, tudo para arrumar um marido para ela?

Para encontrar um padrasto para eles?

Aquilo era simplesmente absurdo demais.

Depois de tentar organizar toda aquela bagunça na cabeça, Jefferson massageou as têmporas latejantes e deixou escapar um leve sorriso de canto.

Talles, ao vê-lo sorrir, segurou sua mão grande com certa intimidade e perguntou:

— Sr. Soares, o seu salário dá para sustentar a nossa mãe e a gente?

Demian acrescentou:

— Nós não damos muito trabalho, mas o senhor tem que tratar bem a nossa mãe. Não pode fazê-la sofrer, nem maltratar a gente.

— ...

Jefferson quis rir, mas, ao ouvir aquelas palavras tão sinceras e sérias saindo da boca das crianças, o sorriso desapareceu.

Os dois pareciam inconsequentes e tinham causado uma confusão enorme.

Mas, no fundo, eram muito maduros para a idade.

Crianças tão pequenas organizando encontros para a mãe... tudo porque não queriam vê-la sofrer de tanto trabalhar.

E ainda faziam questão de saber se ele tinha dinheiro...

Jefferson não conseguiu evitar se lembrar da cena de Alba fazendo bicos como entregadora...

Para uma família comum, criar um único filho já já trazia pressão. Imagine então para ela, criando três sozinha.

O peso nas costas dela devia ser esmagador.

Com aquele salário de pouco mais de mil e quinhentos reais por mês na Capital & Compliance Advogados, mal dava para cobrir as despesas.

Não era à toa que ela nem sequer tinha um carro.

Pensando nisso, Jefferson sentiu um aperto no peito, uma mistura de pena e compaixão.

Ao olhar para os dois meninos à sua frente, seu coração se encheu de ternura.

Era sábado, hora do almoço.

Os meninos estavam fora de casa havia um bom tempo. Será que Alba não estava preocupada?

Demian deu um grande gole no refrigerante e ofereceu um pedaço de frango frito, levando-o até a boca de Jefferson.

Jefferson hesitou por um segundo, mas, ao ver o rostinho inocente e sincero da criança, abriu a boca e comeu.

— A mamãe e a madrinha levaram a nossa irmãzinha para passear no shopping.

Depois de responder, Talles ergueu o copo de refrigerante e o ofereceu a Jefferson.

— Sr. Soares, beba um pouco também.

Jefferson olhou para o canudo, que já tinha marcas de mordida. Por algum motivo inexplicável, não sentiu nojo nenhum. Abaixou a cabeça, colocou o canudo na boca e deu um gole.

O líquido gelado desceu por sua garganta, e ele franziu a testa.

Pensou que não deveria ter pedido refrigerante com gelo.

Crianças pequenas tomando bebidas tão frias poderiam ficar com dor de barriga.

Sua filha, Bruna Soares, tinha o estômago sensível e sempre passava mal quando tomava coisas muito geladas.

Com isso em mente, esticou o braço, tirou os copos de refrigerante das mãos dos meninos, levantou-se e foi até o balcão pedir dois copos de leite morno.

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