Ao ouvir aquilo, Alba mal podia acreditar.
Como poderia imaginar que as crianças, pelas costas dela, estavam procurando um marido para ela?
Aquelas crianças... que ousadia.
E se tivessem encontrado pessoas mal-intencionadas na internet?
Ela quase chamou a polícia para os próprios filhos.
Alba estava com raiva, mas também se sentia impotente.
Seu primeiro impulso foi dar um tapinha no bumbum da filha, mas, ao ver a carinha assustada e chorosa da menina, seu coração derreteu na mesma hora.
Suspirando, acariciou a cabeça da pequena e perguntou em voz suave:
— Elara, me explica uma coisa... Por que você e seus irmãos queriam arrumar um marido para a mamãe?
Elara respondeu:
— Meus irmãos disseram que a mamãe sofre muito trabalhando sozinha para sustentar a gente. Disseram que, se a mamãe arrumasse um papai rico, não precisaria mais sofrer.
— ...
Ouvir aquelas palavras foi como levar uma facada no coração. Alba abraçou a filha com toda a força:
— Bobinha... a mamãe não sofre. A mamãe não sofre nem um pouquinho...
Enquanto falava, seus olhos já se enchiam de lágrimas.
Ela sabia que os filhos eram muito espertos para a idade, mas não imaginava que carregassem preocupações tão pesadas em suas cabecinhas.
No fundo, a culpa era toda dela. Como mãe, falhou por não conseguir dar a eles o conforto que mereciam. Em vez de uma infância despreocupada e feliz, as crianças sentiam na pele as dificuldades financeiras da família.
Tudo aquilo era apenas reflexo de seus próprios fracassos.
Ela não tinha o direito de culpar as crianças.
Gabriela, que assistia a toda a cena, primeiro ficou de queixo caído.
Logo depois, se emocionou e deixou escapar algumas lágrimas.
Mas, no fim, acabou rindo, num misto de encanto e um pingo de inveja.
— Alba, eu morro de inveja de você... Ter três anjinhos tão espertos...

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