Por um momento, Alba não soube o que dizer para contornar a situação.
Ela também percebeu que Miguel a havia induzido de propósito a dizer aquelas palavras para que Jefferson ouvisse.
No entanto, eram seus sentimentos mais sinceros.
Até que foi bom ele ter ouvido. Se a expulsasse do Grupo Soares num acesso de raiva, seria melhor ainda.
Com esse pensamento em mente, Alba o cumprimentou como se nada tivesse acontecido:
— Sr. Soares...
Jefferson fixou seu olhar frio nela, os lábios finos apertados. Seu silêncio absoluto o deixava com um ar extremamente sombrio.
O clima ficou denso.
Miguel se aproximou como se nada estivesse acontecendo, olhou ao redor e, não encontrando o carro dele, perguntou curioso:
— Jefferson, cadê o seu carro?
O tom de Jefferson foi péssimo:
— Cai fora, não é da sua conta.
— Caramba! Acordou de ovo virado hoje?
Alba também notou que Jefferson estava sem carro, mas não pensou muito a respeito. Aproveitando que os dois estavam se estranhando, ela se virou e foi embora.
— Alba, não vá, eu te dou uma carona...
Vendo-a partir, Miguel fez menção de segui-la, mas sentiu o colarinho de sua camisa ser agarrado com força por Jefferson.
Com um puxão violento, ele foi arremessado e caiu sentado no chão.
Miguel cerrou os dentes, furioso:
— Jefferson, a Alba não gosta de você, ela deixou isso bem claro. Por que está descontando a sua raiva em mim?
Jefferson o ignorou, pegou o celular e ligou para Murilo:
— Venha me buscar na porta da empresa.
Murilo finalmente havia conseguido sair mais cedo do trabalho naquele dia e já estava dirigindo de volta para casa.
Ao receber a ligação repentina do Sr. Soares, ele reclamou um pouco:
— Sr. Soares, o senhor não me pediu para ativar o passe de metrô no seu celular com a intenção de acompanhar a Dra. Aragão no metrô todos os dias? Como assim já desistiu no primeiro dia...
— Se não quer mais trabalhar, rua!

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