Alba olhou para a fechadura eletrônica novinha em folha com uma expressão confusa.
Ela nunca havia comprado uma fechadura inteligente.
Muito menos havia sido ela quem a instalara.
Ela pesquisou a marca na internet e viu que custava no mínimo quinze mil reais.
Obviamente, também não havia sido Gabriela quem trocou a fechadura.
Se tivesse sido obra de Miguel, com a personalidade exibida dele, ele já teria se gabado disso na frente dela.
Também seria impossível vir do sempre prudente e contido Leôncio.
Portanto, só poderia ser obra do louco e autoritário do... Jefferson!
Ela até tentou digitar a senha para abrir a porta, mas um aviso sonoro informou que o sistema estava configurado no modo de reconhecimento de voz e exigia uma senha falada específica para destravar.
Alba ficou mexendo naquilo por um bom tempo, sem conseguir abrir, até que o alarme da fechadura disparou automaticamente, fazendo com que os vizinhos do prédio saíssem de seus apartamentos para ver o que estava acontecendo.
Todos pensaram que era o alarme de incêndio tocando.
— Dra. Aragão, que barulho é esse? O que a senhora está fazendo? A essa hora da noite, temos idosos e crianças precisando descansar!
— É verdade! Colocando uma fechadura tão moderna, quem não conhece vai achar que a senhora esconde uma mina de ouro em casa!
Os vizinhos resmungaram mais algumas reclamações e, em seguida, voltaram para suas casas.
Alba sentou-se na escada do corredor abraçando as três crianças, sentindo-se irritada e sem palavras.
Por fim, ela pegou o celular e ligou para Jefferson.
Mas ele demorou muito e não atendeu.
No final, não teve outra escolha a não ser ligar para Murilo.
Naquele exato momento, o carro de Murilo estava estacionado na beira da rua do lado de fora da vila.
Ele estava rodando mais que um pião naquela noite.
Mal tinha deixado Miguel no hospital, o Sr. Soares já havia ligado ordenando que mandasse trocar a fechadura da porta da casa de Alba por um dos modelos de inteligência artificial mais recentes do mercado o mais rápido possível.
E ainda mandou o instalador configurar uma senha de reconhecimento de voz.
Ao ouvir Alba perguntar pelo telefone se fora Jefferson quem trocara a fechadura, Murilo deu uma espiada discreta pelo espelho retrovisor para o homem sentado no banco de trás, fumando em silêncio, e disse em voz baixa:
— Dra. Aragão, o Sr. Soares trocou a fechadura para garantir a sua segurança e a das crianças.
Alba ficou furiosa ao ouvir aquilo, mas aquele não era o momento para perder a cabeça.
Já passava das dez da noite.
A essa altura, Elara já estava quase dormindo em seus braços.
Os dedos finos de Alba apertaram o celular com tanta força que os nós ficaram brancos. Ela rangia os dentes de raiva.
E, ao mesmo tempo, sentia-se impotente.
Jefferson era extremamente vingativo. Ao escutá-la dizer a Miguel que não gostava dele quando saíram do trabalho, estava usando um método tão sujo e infantil para dar o troco.
Ele era um verdadeiro lunático!
— Mamãe...
Demian puxou sua manga de novo, fazendo biquinho:
— Eu vou fazer xixi nas calças...
Alba encerrou a chamada apressadamente, virou-se para o painel de controle da fechadura e, cheia de rancor, ditou a senha pausadamente, cerrando os dentes:
— Jefferson, eu gosto de você!
*Bip.*
A porta foi destrancada.
Uma voz feminina e robótica soou:
— Olá, seja bem-vinda de volta ao lar, Dra. Aragão. Eu sou o seu assistente de voz, Sr. Jefferson. Se tiver qualquer problema, procure o Sr. Jefferson. Garantimos a sua satisfação...

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