O chaveiro, vendo que ela não dizia nada há um bom tempo, tentou negociar:
— Moça, se eu desmontar essa fechadura e ficar com ela para reciclagem, não cobro a visita técnica, que tal?
— Não acho uma boa ideia.
Alba soltou um suspiro pesado:
— Não precisa mais desmontar.
Se tirasse aquela, ele colocaria outra fechadura no lugar. Ela não sabia quanto mais teria que pagar de visita técnica.
Essa fechadura custava pelo menos uns dez mil reais. O chaveiro ficaria rico só reciclando fechaduras assim.
Olhando a hora, já era quase meio-dia.
Alba se preparou para voltar para dentro, trocar de roupa e ir para a empresa.
Ao segurar a maçaneta, a fechadura emitiu um aviso sonoro:
— Olá, sou o seu assistente de voz, Sr. Jefferson. Por favor, grave a sua senha de voz.
Alba sentiu uma pontada de dor de cabeça. Curvando-se levemente, ela disse para o painel de controle:
— Jefferson, eu gosto de você!
A fechadura destravou. Alba entrou em casa com a cara fechada e bateu a porta com tanta força que o som ecoou estrondosamente.
O aviso sonoro da fechadura soou novamente:
— Dona Alba, o Sr. Jefferson pede que feche a porta com cuidado.
Irritada, Alba gritou para a porta:
— Cala a boca!
……
Naquela tarde.
Alba chegou à empresa e, aproveitando a desculpa de entregar uns documentos, foi até o escritório do presidente.
Ela planejava pedir a ele para mudar a senha da fechadura.
No entanto, Jefferson não estava lá.
Ela não teve escolha a não ser entregar os documentos para Murilo.
— Dra. Aragão, já se acostumou com a nova fechadura?
Murilo, notando sua expressão péssima, tocou exatamente no assunto que não devia, fingindo preocupação.
Alba deu uma risada seca:
— Graças a você, Murilo, usar a senha de voz tem sido bem emocionante.
— Dra. Aragão, eu estava apenas seguindo ordens.
Murilo se explicou, olhando para Alba com uma ponta de culpa.

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