Foi também nesse instante que ele percebeu que um simples gesto de iniciativa de Alba era o suficiente para fazê-lo perder o controle por completo.
Ela havia acendido a chama, mas no fim, o controle voltou para as mãos do homem.
Aquele beijo foi mais intenso do que qualquer outro.
Alba sentiu um misto de surpresa e medo. Se não estivessem no carro, onde ele se conteve antes de passar dos limites, ela provavelmente teria se entregado ali mesmo.
Quando o carro parou em frente a um hotel luxuoso, Alba se desvencilhou dos braços dele e olhou pela janela.
— Onde estamos?
— Tenho um jantar hoje, venha comigo, sim?
Dizendo isso, ele pegou uma gravata que estava no banco ao lado e a colocou nas mãos dela, sinalizando para que o ajudasse a dar o nó.
Ao ver a gravata, Alba olhou para as marcas vermelhas em seus pulsos finos e sentiu o rosto queimar de vergonha.
Seis anos haviam se passado, mas o hábito dele nos momentos de paixão continuava o mesmo.
Agora pouco...
Ela massageou o pulso, sentindo uma leve dor.
Percebendo o gesto sutil, o homem segurou a mãozinha dela em tom de provocação e a pousou sobre a textura fria e rígida do seu cinto de couro:
— Da próxima vez que for desobediente, usarei isso aqui como punição.
— Pervertido...
Alba murmurou o xingamento, indignada e corada, mas o homem forçou a mão dela de volta ao seu colarinho.
— Arrume minha gravata. Se demorar mais, quem está lá fora vai acabar quebrando o vidro.
...
Confusa, Alba virou a cabeça para olhar pela janela.
Ela tomou um susto enorme ao ver o rosto de um homem espremido contra o vidro.
Era Miguel.
Ele estava com as mãos no vidro, tentando espiar lá dentro.
Os vidros eram escuros e blindados; era impossível ver o interior do carro pelo lado de fora.
Porém, de dentro, a visão era perfeitamente clara.
Impaciente, Miguel começou a bater no vidro com força.
Sobressaltada, Alba desviou o olhar e, com agilidade, terminou de dar o nó na gravata de Jefferson.
Quando ela estava prestes a sair, o homem segurou a mão dela novamente e baixou o olhar.
— O cinto ainda está solto.
Alba o fuzilou com o olhar.
— Você não tem mãos?

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