Num piscar de olhos, mais uma semana se passou.
Os pontos do corte na testa de Alba já haviam sido retirados.
Ainda era possível ver uma leve cicatriz.
O médico disse que levaria pelo menos um ou dois meses para que a marca sumisse por completo.
Mas ela não se importava tanto.
Com um pouco de base para disfarçar, era quase imperceptível.
Na segunda-feira, a cidade de Brisamar amanheceu sob os efeitos da primeira grande frente fria do ano.
Era o seu primeiro dia de trabalho oficial no Grupo Soares.
Como a sede ficava muito longe de onde morava, ela teve que levantar às seis da manhã para preparar o café.
Depois de deixar as crianças na creche logo após as sete horas, correu a todo vapor para a estação de metrô.
Às oito e quarenta, chegou ao Grupo Soares.
Erguendo a cabeça para observar o imponente arranha-céu do grupo que parecia tocar as nuvens, Alba sentiu o peso do mundo nas costas, tomada por um aperto desanimador no peito.
Não era a primeira vez que ela entrava ali.
No passado, Jefferson frequentemente ligava pedindo que ela levasse almoço para ele na empresa.
O estômago dele era sensível, seu paladar exigente, e ele só gostava da comida que ela preparava.
Como os dois eram irmãos, suas constantes visitas à empresa jamais levantavam qualquer tipo de suspeita.
Algumas vezes, no entanto, ele a chamava ao escritório com a simples e única finalidade de satisfazer as próprias necessidades físicas.
O celular dela vivia de prontidão, à disposição dele vinte e quatro horas por dia.
Fosse dia ou fosse noite, bastava um telefonema e ela corria aos braços dele.
Lembrar-se de tudo isso agora só a fazia perceber o quão patética e subserviente havia sido sua vida no passado.
Ela era como um simples animal de estimação em cativeiro, brincando na palma da mão dele.
E, mesmo assim, vivia na ilusão absurda de que conseguiria o amor daquele homem...
Alba deu uns tapinhas fortes nas próprias bochechas, afastou os pensamentos perturbadores e cruzou o saguão amplo e iluminado até chegar à recepção.
Avisou que era funcionária enviada pela Capital & Compliance Advogados.
A recepcionista fez uma ligação interna, confirmou a sua identidade e só então passou o cartão de liberação nas catracas da entrada.
— Dra. Aragão, por favor, pegue o elevador de funcionários e vá até o trigésimo primeiro andar. Lá, procure o Murilo para se apresentar. — A recepcionista apontou para uma das alas de elevadores à esquerda.
— Certo, muito obrigada.
O térreo contava com um total de oito elevadores.
Aquele horário era o ápice do movimento matinal.
Todos os acessos estavam cercados por dezenas de funcionários.


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