Alba reprimiu rapidamente o turbilhão de emoções em seus olhos e voltou a se sentar.
O policial achou que ela finalmente tinha caído em si e colocou um termo de acordo na sua frente:
— Assine aqui, peça desculpas, e poderá ir embora.
Alba nem sequer olhou, apenas empurrou o papel de volta:
— Sr. Policial, o Sr. Barreto e o Sr. Mendonça, que foram trazidos comigo do camarote, ainda estão na área de detenção, certo?
O policial se surpreendeu:
— Sim, ainda não foram interrogados.
Alba declarou:
— Eles estavam consumindo substâncias ilícitas no camarote oitocentos e nove do bar. Qualquer cidadão com o mínimo de conhecimento das leis ligaria para denunciar, não concorda?
O policial ficou chocado:
— O quê? Substâncias ilícitas?
— Antes de serem trazidos para cá por vocês, confundidos com clientes de garotas de programa, eles esconderam o que sobrou das drogas debaixo do sofá do camarote...
Dizendo isso, ela olhou para Fabiano, que empalideceu subitamente:
— O Sr. Botelho pode confirmar isso.
— Você tá falando merda, porra!
Fabiano berrou.
A expressão de Alba permaneceu serena:
— Se a minha denúncia foi falsa ou não, basta fazerem uma busca no bar e saberão.
— Sua...
Fabiano engasgou, sem conseguir continuar.
Ele olhou para Jefferson pedindo socorro:
— Jefferson, foram o Sr. Barreto e o Sr. Mendonça...
— Cale a boca.
Jefferson o cortou friamente.
Alba ergueu levemente as sobrancelhas e dirigiu-se ao policial:
— De acordo com o Artigo trezentos e cinquenta e quatro do Código Penal: Fornecer local para consumo de drogas acarreta pena de detenção de até três anos, prisão domiciliar ou medidas restritivas, acompanhadas de multa. Estou correta?
— Hã, sim...
O policial estava perplexo:
— Moça, como você também conhece as leis tão bem?
Alba não respondeu a essa pergunta. Ela virou os olhos para encarar o homem sentado à sua frente, cujo rosto se tornava cada vez mais sombrio:
— E então, Sr. Soares, eu ainda preciso pedir desculpas?
Nos olhos gelados e insondáveis de Jefferson, finalmente surgiu uma perturbação.
— Então, peço aos senhores policiais que façam uma busca no camarote oitocentos e nove e vejam se encontram alguma substância ilícita.
Após falar, ele a alertou:
— Sra. Aragão, ainda dá tempo de se desculpar.
Com um olhar resoluto, Alba declarou:
— Eu não fiz uma denúncia falsa e não vou pedir desculpas.
— Muito bem.
Jefferson curvou os lábios em um sorriso de escárnio.
Fabiano não aguentou mais segurar a ansiedade:
— Jefferson, eu...
Jefferson estreitou os olhos severamente.
Fabiano murchou e engoliu em seco.
Ao ver que o acordo era impossível e que drogas haviam sido metidas na história, o policial notou que a situação tinha saído do controle.
A natureza do caso acabara de mudar completamente.
Ele não teve outra escolha a não ser reunir uma equipe e ir ao bar fazer a busca.
Naquele momento, na sala de mediação apertada, o silêncio era tão denso que se podia ouvir o cair de uma agulha.
Talvez fosse pelo extremo nervosismo de compartilhar o mesmo espaço que Jefferson, mas Alba sentiu-se inquieta, assolada por um leve e sombrio pressentimento.

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