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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 387

Naquele momento, pensei novamente em Fernando Gomes.

Achei que, se ele estivesse ali, certamente encontraria uma solução para tudo, disso eu tinha certeza.

Se o destino fosse mesmo a morte, que assim fosse. Imaginei que, ao menos, entre nós dois, nada mais restaria a ser cobrado.

Numa próxima vida, não nos veríamos, nem guardaríamos lembranças; seríamos apenas estranhos um para o outro.

O carro estava completamente amassado, e a perna de Víctor Laranjeira ficou presa. Eu já não era forte o bastante e, tomada pelo medo e pelo pânico, minhas mãos e pernas tremiam, tornando impossível qualquer esforço. Por mais que tentasse, mordi meus lábios até sangrar, mas a perna de Víctor continuava presa, imóvel.

O suor escorria pela minha testa, as lágrimas corriam desordenadas pelo rosto. Em desespero, dei um tapa no próprio rosto, culpando-me por não ser capaz de ajudar.

A voz de Víctor Laranjeira soou abafada, vinda de dentro do casaco:

— Francisca, não se preocupe comigo, fuja logo... Francisca, não tente me salvar, eu não mereço... Francisca, seja obediente, por favor, não olhe para trás. Uma pessoa como eu já tem o que merece... Francisca...

A cada vez que ele pronunciava meu nome, meu coração se apertava ainda mais.

Aquela dor era como se arrancassem minha pele e meus nervos, profunda e aguda, atingindo até os ossos.

— Cale a boca e tente colaborar, ao invés de ficar aí parado como se já estivesse morto! Não tenho força suficiente. Melhor mal e vivo do que morto de vez. Se você morrer, e a Kelly? O que vai ser dela? E quem vai cuidar do túmulo da Juliana Silva na próxima visita ao cemitério? E seus seguranças, onde estão todos agora? Justo na hora em que mais precisa, sumiram!

No fim, minha voz falhou, e já não consegui dizer mais nada, apenas continuei, mecanicamente, a tentar puxá-lo.

Era uma mulher inconsciente. O casaco branco que ela usava estava tingido de vermelho escuro pelo sangue, exalando um cheiro forte e nauseante. Os longos cabelos desarrumados cobriam quase todo o rosto, mas era possível ver que o crânio estava afundado, um ferimento impressionante. O sangue já formava uma poça sob seu corpo.

— A vítima perdeu muito sangue, respiração falhando, estado crítico. Oxigênio agora, estancar o sangramento, avisar o hospital para preparar transfusão imediatamente — ordenou o médico de meia-idade, mantendo a calma ao orientar a equipe. Depois, gritou para a multidão:

— Algum parente da vítima ou alguém que a conheça? É preciso acompanhar ao hospital, há documentos que precisam ser assinados.

No momento em que a colocaram na maca, o vento afastou seus cabelos, e pude ver seu rosto.

Era Lília Santos!

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