Queria tanto perguntar para ela: quem foi que te convidou para vir aqui como minha visita?
Se me acha sem educação para receber convidados, então volte para casa, oras. Quem está te impedindo, afinal?
Do nada, vem querer se impor na minha casa!
Mas eu não podia.
Antes que Fernando Gomes retirasse oficialmente o título de namorada de mentira de mim, eu ainda precisava manter as aparências.
Sempre fui uma pessoa de palavra: o que eu prometo, cumpro.
Abri a porta de casa sem muita vontade e a convidei a entrar. Sep, Tez e o segurança de preto ficaram todos do lado de fora, pois a Sra. Gomes os deixou ali com firmeza, dizendo que precisava conversar comigo a sós.
Sep tentou entrar à força. A Sra. Gomes levantou o olhar, fria e cortante:
— O que é isso, agora até um segurança quer mandar em mim? Quero só ver o que Fernando Gomes acha disso. Será que ele não me considera mais como mãe?
Sep se manteve firme, dizendo apenas que estava cumprindo a ordem do chefe e que não permitiria que ninguém se aproximasse de mim em particular.
Fiquei surpresa: uma pessoa com duas faces tão distintas, parecia outra por dentro, ou talvez já estivesse acostumada a atuar de um jeito na frente dos outros e de outro quando estava sozinha. Era difícil saber.
O rosto da Sra. Gomes ficou transtornado de raiva. Para evitar um confronto, disse a Sep que não fecharia totalmente a porta, deixando uma fresta para que ele pudesse monitorar minha segurança. Só assim ele concordou, relutante.
Morar juntos... Ah, ele realmente não tem medo de falar nada.
Se morar em apartamentos de porta a porta conta como “morar juntos” numa interpretação mais flexível, então até que não era mentira.
— É assim, Sra. Gomes... Eu e o Fernando somos muito ocupados. Para não atrapalhar um ao outro, na reforma, dividimos o apartamento em duas unidades. Ele mora no outro lado do corredor. Assim, podemos nos ver a qualquer momento, mas cada um tem seu espaço para se dedicar ao trabalho. A senhora sabe como o Fernando valoriza a carreira; não poderia atrapalhá-lo só por causa do namoro, não é?
— É mesmo? — O olhar dela era afiado, cheio de desconfiança.
— Sim — confirmei, balançando a cabeça com firmeza para tranquilizá-la, e ainda reforcei mais duas vezes. — Se quiser, pode ir ao apartamento da frente ver.
— Isso não é necessário. Imagino que você não teria coragem de me enganar. Pelo menos entende que não deve prender o Fernando nessas paixões juvenis. Pronto, sente-se. Tenho umas coisas para te perguntar.

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