Entrar Via

Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 411

Embora se diga que flores de ameixeira não são apropriadas para ambientes internos, cada um tem seu gosto — e para mim, basta que eu goste.

Eu me deixava envolver por sua beleza rara, permitia que ocupasse minha mesa de centro, deixando que seu perfume sutil se espalhasse pelo meu apartamento.

Meu olhar se voltou para a relíquia de família, uma peça de valor inestimável, largada sobre a mesa de centro, parecendo quase abandonada.

Soltei um suspiro leve, peguei a relíquia e, junto com algumas joias que estavam no quarto de hóspedes, guardei tudo cuidadosamente no cofre.

Ele falava com tanta facilidade: “Se não quiser, jogue fora!”

Aquelas coisas… Qualquer vestido dali custava, no mínimo, seis dígitos. Gente comum, trabalhando a vida inteira, jamais teria coragem de comprar. E eu jogaria fora? Como eu poderia?

Peguei um lençol novo de casal, cobri as roupas e sapatos para protegê-los do pó, pensando se não seria melhor providenciar alguns guarda-roupas, guardar tudo direito, ao menos para que não ficassem ali no meio da sala acumulando poeira.

Quando finalmente tudo ficou em silêncio, percebi o estômago vazio. Já eram sete da noite; se não comesse logo, podia acabar passando mal de hipoglicemia.

Abri a geladeira, hesitando entre preparar um macarrão simples ou um jantar mais elaborado, quando o celular apitou com duas mensagens.

Uma trazia só três palavras, duras e diretas: “Sem coração!”

A outra era uma notificação de transferência: o número cinco seguido de oito zeros.

O dinheiro que eu havia transferido de volta para a conta do Fernando Gomes dias atrás estava ali, devolvido até o último centavo, com um destaque especial: pagamento de honorários.

Então, para ele, aquilo tudo não passou de uma tarefa profissional?

Por mais que eu pensasse, sentia raiva. Redigi uma mensagem e enviei: “Fernando Gomes, o que você realmente quer dizer com isso?”

Achei que, com aquele jeito frio e distante, ele nem fosse responder. Mas, para minha surpresa, a resposta veio rápido: “Dor de estômago.”

Eu: ?

Olhei fixamente para os ovos, suspirei baixinho e, aceitando o destino, comecei a preparar tudo.

Depois de um tempo, com a cozinha tomada pelo aroma agradável, a canja de carne magra com ovos centenários ficou pronta. Enquanto fervia, ainda preparei quatro acompanhamentos: peixe fresquinho no vapor, tiras de frango apimentadas, folhas verdes salteadas e pepino agridoce em tiras.

Assim que coloquei a canja na mesa, ouvi a porta se abrindo. Fernando Gomes entrou, vindo da rua, trocando os sapatos na entrada.

Parecia que tinha acabado de acordar; seus olhos encantadores ainda traziam um véu de sonolência, e havia uma leve marca vermelha na sobrancelha direita, como se tivesse dormido de lado, o que lhe dava um ar afetuoso, quase como um irmão mais velho da vizinhança.

Mas eu sabia bem: ele não era um irmãozinho gentil e relaxado. Por trás daquela aparência, havia alguém feroz, um lobo faminto que só mostrava as garras quando realmente irritado.

Talvez estivesse mesmo com fome, pois comia rápido, quase voraz, mas sem perder a elegância e os modos. Depois de meia tigela de canja, pegou um pedaço de pepino agridoce e mastigou com prazer; talvez o sabor agridoce tenha despertado suas papilas gustativas, porque ele ergueu os olhos para mim, com um sorriso suave e caloroso nos lábios e no olhar.

Que figura intrigante — há poucos minutos, antes da Escola Aurora do Saber, parecia furioso; depois de comer, se tornava tão gentil que dava vontade de bagunçar o cabelo dele.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento de Mentira, Amor de Verdade