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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 249

O sol começava a cair sobre a fazenda Sun Valley, espalhando um dourado preguiçoso sobre tudo. O cheiro de capim cortado e terra quente ainda pairava no ar, e o vento soprava leve, trazendo o som distante do riacho e o murmúrio de peões terminando o dia.

Tomás saiu do galinheiro com um meio sorriso no rosto, daqueles que a gente tenta esconder, mas que se recusam a ir embora. Ainda sentia na pele o eco da conversa com Clara, a voz doce e calma dela misturada ao barulho das asas das galinhas.

“Elas não me atacam se eu não mexer com elas”, ela disse, e ele, bobo, ficou ali parado mais tempo do que devia, só olhando. Agora, enquanto caminhava pelo pátio, parecia ainda ouvir o riso contido dela.

À frente, perto do curral, Taylor conversava com três peões, com o chapéu levemente inclinado e os braços cruzados, postura de quem nasceu e mandava bem naquele pedaço de terra. O sol dourava o cabelo loiro e deixava a sombra do chapéu cortar o rosto, o que só dava mais autoridade ao noivo de Lila, o cowboy que transformava a rotina em respeito.

— E vê se revisa o bebedouro antes de anoitecer, Jorge — dizia ele, apontando para o pasto. — O gado anda bebendo menos, pode ter entupido de novo. E o portão do curral grande precisa de trava nova. Usa a que tá no depósito, não improvisa.

Os homens assentiram e se dispersaram. Taylor suspirou, tirou o chapéu para coçar a nuca e, quando ergueu o olhar, viu Tomás vindo pelo caminho. O sorriso apareceu antes mesmo da fala.

— Ora, ora… — disse, ajeitando o chapéu de novo, com aquele ar de quem já adivinhava. — Conheço esse sorriso. Conheço sim. É sorriso de quem tem mulher no meio, não é?

Tomás riu, passando a mão pelos cabelos.

— Mulher no meio? Você é rápido, hein, cowboy.

— Rápido, não. Experiente. — Taylor inclinou o corpo, apoiando um cotovelo na cerca. — Desde que pedi sua irmã em casamento, aprendi a decifrar esse tipo de cara.

— Ah, Lila deve ter te dado trabalho… — provocou Tomás, cruzando os braços. — Não é fácil lidar com minha irmã.

— E mesmo assim tô aqui, firme e apaixonado. — Taylor sorriu de lado. — Agora, fala logo: quem é ela?

Tomás soltou um riso meio sem graça, chutou um pedacinho de terra com a bota e acabou confessando:

— Conheci a Clara.

— A Clara? — Taylor arqueou uma sobrancelha, curioso.

— Essa mesma.

O sorriso de Taylor cresceu, misto de surpresa e aprovação. Ele deu um assobio baixo, divertido.

— Hm… Clara é uma boa moça, Tomás. Trabalhadeira, quieta, mas tem um coração enorme. — A voz dele baixou, com um toque sério. — Só não vá brincar com os sentimentos dela, ouviu?

— Não é brincadeira, cunhado. — Tomás respondeu depressa, sincero. — Eu… não sei. É diferente. Ela fala e parece que tudo desacelera, entende? É como se o mundo parasse pra ouvir.

Taylor o encarou de novo, com aquele olhar avaliador típico de quem mede o caráter do outro, mas também de quem gostava do que estava ouvindo.

— Entendo, sim. — respondeu por fim, sorrindo. — Pelo visto vai se mudar para cá em breve.

Tomás riu.

— Pois então cunhado se prepare, para me ensinar a comandar uma fazenda.

— Esta disposto a deixar a vida de luxo para trás?

Tomás assentiu, pensativo.

— Se for para viver um grande amor, sim.

— Então pode contar comigo!

Taylor se aproximou de Tomas e deu um abraço apertado no cunhado e quando ia continuar a conversa, um ronco de motor se aproximou.

— Ah, lá vem o reforço.

Uma caminhonete velha azul entrou levantando poeira e estacionou com estardalhaço. Da cabine saltou Maurício, de camisa xadrez, botas gastas e aquele jeito de quem chega e muda o clima da conversa.

— Boa tarde, senhores! — anunciou, animado. — E aí, o que perdi? Tô sentindo cheiro de fofoca no ar.

Taylor deu uma risada curta.

— Tá sentindo certo. O cunhado aqui conheceu a Clara.

— A Clara? — repetiu Maurício, arregalando os olhos de modo teatral. — Ah, então é por isso que ele tá com esse ar de quem viu um anjo descendo no galinheiro.

— Ei! — Tomás protestou, rindo. — Também não é assim…

— É sim — rebateu Taylor, divertido. — Eu vi esse olhar no espelho quando comecei a olhar pra sua irmã.

Maurício apoiou as mãos na cintura.

Taylor riu, ajeitando o chapéu na cabeça.

— É o mesmo horário que o sol resolve nascer. E aqui, meu amigo, quem dorme demais perde o espetáculo.

Maurício cruzou os braços e soltou uma risada rouca.

— Se ele sobreviver a isso, já ganha respeito. — comentou, piscando para o cunhado. — A gente mede caráter pela disposição de levantar cedo e não reclamar.

Tomás suspirou, fingindo rendição.

— Tá bom, tá bom… — disse, levantando as mãos. — Amanhã eu tô de pé. Mas se eu desmaiar no meio do curral, a culpa é de vocês.

Taylor bateu de leve no ombro dele, sorrindo.

— É isso aí. Quem vive aqui aprende rápido. O campo não espera, e o sol também não.

Os três ficaram em silêncio por um instante, observando o céu que agora se tingia de tons alaranjados e rosados. O vento soprava morno, carregando o cheiro de terra, feno e promessas de um novo dia. Ao longe, o mugido do gado se misturava ao canto dos grilos, e o mundo parecia desacelerar.

Tomás passou a mão pelos cabelos, o olhar fixo no horizonte onde o sol já se despedia.

— Entendo porque minha irmã se apaixonou por isso aqui. — murmurou, com a voz baixa, quase contemplativa. — Tem uma paz que a cidade nunca vai ter.

Taylor o olhou de lado, com aquele sorriso tranquilo de quem sabe exatamente do que ele falava.

Deu um passo à frente, tocou o ombro do cunhado e disse, firme e sincero:

— Aqui é o melhor lugar pra viver, meu amigo. Onde o tempo anda no ritmo do coração… e o que vale mesmo é o que a gente planta, sente e ama.

Tomás assentiu, com o olhar distante, um meio sorriso se abrindo no rosto.

— Então amanhã, às cinco e meia, eu descubro se esse lugar aceita forasteiros.

Taylor riu alto, já se afastando na direção do celeiro.

— Se o sol gostar de você, o resto é fácil.

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