Entrar Via

Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 262

O céu estava de um azul insolente, sem uma nuvem para negociar sombra, e o cheiro doce da grama recém-cortada subia do campo como um convite descarado. Lila ajeitou o chapéu, montou com cuidado e lançou um olhar de quem estava pronta para aprontar sem admitir. Catarina já vinha logo atrás, levando o cavalo numa leveza de quem nasceu com rédeas nas mãos. E, por fim, o furacão cosmopolita de óculos escuros: Suze Sinclair, num look “cowgirl editorial” que ninguém na fazenda tinha pedido, mas todo mundo secretamente amava.

— Você tem certeza de que esses saltinhos combinam com estribo? — Lila perguntou, engolindo uma risadinha.

— Querida, tudo combina com estribo quando você tem confiança e gloss labial — declarou Suze, estalando a língua e dando dois toques no flanco da égua. — Além do mais, eu trouxe biquíni de reserva. Em três tons. Caso a luz mude.

— Três tons? — Catarina riu. — O riacho não tem filtro do I*******m, viu?

— Ainda, meu amor. Ainda. — Suze piscou.

Partiram num trote gostoso. Os pássaros faziam coro, o vento enroscava nos cabelos, e a trilha se abria entre cercas brancas e filas de eucalipto. Lila respirou fundo. Tinha no peito uma calma luminosa, dessas que aparecem depois de um susto bom: o casamento chegando, o bebê a caminho, Taylor mais doce e mais cowboy do que nunca. Tudo parecia finalmente alinhado, e isso a deixava corar de dentro pra fora sempre que lembrava do jeito como ele a olhava pela manhã, sem camisa, claro, deus do céu.

— Pensando no meu irmão sem camisa — cantarolou Catarina, maliciosa.

— Eu não! — Lila tentou, ridiculamente convincente.

— Aham — Suze respondeu, inclinando os óculos. — Quer que eu descreva a dilatação da sua pupila quando a palavra “sem camisa” entra na conversa?

— Vocês duas… — Lila mordeu o sorriso, vencida.

A trilha se afunilou, e de repente desceu em curva para o som que elas procuravam o riacho. Suze arregalou os olhos.

— Isso aqui é um set de filmagem. Falta só um diretor gritar “Ação!”

— O diretor aqui chama “natureza” — disse Catarina, já desmontando com agilidade. — Lila, desce com calma. Eu seguro.

— Eu sei descer, tá? — Lila respondeu, mas aceitou o braço da cunhada, porque orgulho é ótimo, porém a gravidade existe.

Em dois minutos, as três estavam com os cavalos amarrados sob a sombra e os chapéus pendurados nos galhos. Suze abriu a bolsa como quem desarma uma bomba e tirou um lenço, um protetor labial, um biquíni que parecia ter sido desenhado por um arquiteto minimalista, uma canga e uma pequena caixa de som.

— Você trouxe música? — Lila gargalhou.

— Claro. O silêncio é lindo, mas um refrão cura qualquer pessimismo — Suze decretou, emparelhando o aparelho.

Tiraram as botas, riram do barulho oco que elas fizeram ao cair na grama e, num acordo silencioso de “vamos aproveitar antes que o bom senso volte”, começaram a tirar o resto da roupa. Suze foi a primeira, claro, deslizando o short de alfaiataria com a graça de quem faz isso em camarim iluminado. O biquíni dela era um azul vibrante, tão minúsculo quanto chic, e parecia ter sido desenhado especificamente para provocar tropeços masculinos.

Catarina tirou o vestido florido com naturalidade de quem nadava naquele riacho há tempo demais. O biquíni dela era preto, firme, lindo e ousado, como ela. Lila hesitou por meio segundo, temendo que algum peão pudesse aparecer, culpa da timidez mas respirou fundo e também tirou a camisa e o short. Seu biquíni era um verde suave que abraçava suas curvas, e por um instante, enquanto a luz do sol batia na água atrás dela, as outras duas ficaram em silêncio, admirando.

— Amiga… você tá radiante — disse Catarina, num sorriso que era carinho puro.

— Gostosa pra caralho, se eu gostasse de mulher eu te pegava. — completou Suze.

— Suze! — Lila retrucou corando e Catarina corou.

— Agora vamos, garotas. Preciso provar essa água.

E então se renderam e entraram no riacho.

A água veio como um choque primeiro… e depois como um abraço quente, mesmo sendo fria. Um contraste delicioso que fez Lila suspirar alto, fechando os olhos enquanto a correnteza molhava seu corpo.

— Meu Deus, isso tá gostoso demais. — suspirou Suze mergulhando no riacho.

Catarina também já tinha mergulhado e foi aí que o destino, fanfarrão profissional, resolveu colaborar com o roteiro: do outro lado do riacho, surgiram dois peões conduzindo um par de cavalos pelo raso. Um deles ergueu os olhos, viu a cena, três mulheres lindas, rindo, respingando água ao sol e desacelerou. O chapéu abaixado não disfarçou a cara de “uau”.

— Cuido do gado do setor norte. E, às vezes, da cerca da parte de cima.

— Interessante. — Suze apoiou o queixo na mão, estudando o rapaz como se estivesse escolhendo vinho. — Eu cuido de eventos, playlists e corações cansados.

— Ah. — Raul processou, visivelmente fora da própria zona de conforto. — É… bonito.

— Obrigada — ela respondeu, já vitoriosa por pontos.

O segundo peão, coitado, percebeu que as taxas de produtividade baixavam a cada piscada do amigo. Deu um assobio baixo, aquele chamado de “volta pra Terra, irmão”, e Raul se sobressaltou. Tentou girar o cavalo de volta, mas a água puxou o casco numa pedra. O bicho falseou, Raul deu uma bela requebrada involuntária, os braços abriram em equilíbrio dramático, o chapéu voou… e ele só não foi ao chão porque o reflexo salvou no último segundo.

Silêncio.

E então um coro: as três explodiram numa gargalhada tão sonora que espantou dois pássaros da cerca. Raul, envergonhado, mas com humor, resgatou o chapéu, colocou de volta e acenou como quem aceita a vaia com graça.

— Eu… vou indo — ele disse, vermelhíssimo. — Bom banho.

— Para você também, Raul do Setor Norte — Suze devolveu, mandando um tchauzinho com os dedos. — Volte sempre… com cuidado.

Quando os dois peões desapareceram entre as árvores, o riacho recuperou sua paz, mas não a dignidade de Lila, que ria sem fôlego.

— Você não presta! — ela disse para Suze, ainda se abanando de rir. — O coitado quase foi batizado.

— Batismos acontecem quando a presença divina passa — Suze filosofou. — E você viu a covinha? Eu vi uma covinha, certo?

— Eu vi foi o tombo adiado — Catarina gargalhou. — E adorei o “cuido de eventos, playlists e corações cansados”. Poético.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário