KATHERINE SALLES - CAPÍTULO 002
Ele usava uma camisa social preta, com mangas dobradas até o antebraço, gravata frouxa. O cabelo, levemente bagunçado, dava um ar menos formal do que no escritório. Mas o olhar… o olhar era o mesmo, intenso e atento, como se ele pudesse atravessar a minha pele e ver tudo que eu tentava esconder.
— O que faz aqui? — Ele arqueou a sobrancelha de modo julgador. — Não disse que estava doente e que não podia trabalhar hoje? e muito menos na próxima semana?
A vergonha subiu pelo meu rosto como fogo. O constrangimento foi tão grande que me vi engolindo em seco , minha cognição para respostas rápidas na ponta da língua quase me deixou na mão.
— Eu… é…-definitivamente não sabia onde esconder a minha cara , de tanta vergonha que sentia-Aconteceram alguns problemas pessoais e eu precisava dar um tempo de tudo, somente por isso disse aquilo . - Umedeci meus lábios , enquanto ele me encarava de volta com as sobrancelhas arqueadas- E pra completar o caos acabei esquecendo minha identidade. — A voz falhou enquanto pigarreei tentando recuperar o que sobrou da minha dignidade. — Não consigo fazer o check-in.
Ele me estudou por um segundo. O silêncio dele me deixou ainda mais inquieta e envergonhada . Pelo olhar do meu chefe , deveria estar julgando até a minha alma.
— Venha comigo.
— O quê? Não precisa… — tentei protestar, mas ele já segurava minha mala.
— Vamos resolver isso — disse, e começou a andar em direção a um corredor lateral, sem esperar que eu o acompanhasse.
Segui, ainda tentando processar tudo. As solas dos meus sapatos faziam um som abafado no carpete, uma vez em que o acompanhava.
O corredor parecia não ter fim enquanto seguia atrás dele. O som abafado do elevador soou, e as portas se abriram para um espaço exclusivo. Subimos em silêncio, apenas o som suave da música ambiente do hotel preenchendo o ar.
Quando as portas se abriram, entendi por que ele havia me trazido ali.
A suíte ocupava todo o último andar. Paredes de vidro exibiam a cidade em um mar de luzes cintilantes, e móveis minimalistas, mas caros, davam ao ambiente um ar de poder e sobriedade. Era o tipo de lugar que parecia ter sido feito para pessoas que nunca precisaram perguntar o preço de nada.
Meu chefe, Ethan Lancaster, fechou a porta atrás de nós e caminhou até uma escrivaninha próxima à janela. Pegou um notebook de couro preto e o colocou diante de mim.
— Preciso que revise este contrato. É importante. — O tom era calmo, mas direto, como se estivesse me testando. — Vou resolver um assunto rápido e volto.
Olhei para ele, confusa.
— Agora?
— Sim. — Ele se aproximou apenas o suficiente para que eu sentisse o peso do seu olhar .-Trabalhar pode ser… uma boa distração.
Quase retruquei lhe xingando mentalmente de narcisista, mas não tinha forças para discutir.
Assenti, puxando a cadeira e ele saiu sem olhar para trás.
O documento estava carregado de termos jurídicos e cláusulas comerciais. Meus olhos percorriam as linhas, mas minha mente insistia em recordar daquelas fotos.
Cada palavra se misturava com flashes da festa, com a expressão congelada de Letícia, com a voz fria do meu pai e a postura insensível da minha mãe em ao menos ter tentado vir em meu socorro.
As lágrimas começaram a cair, silenciosas, deslizando pelo rosto e pingando sobre o teclado. Eu as ignorava, limpando-as com o dorso da mão sempre que embaçavam minha visão.


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