Yvonne era, na verdade, de uma família de acadêmicos. Seu pai era arqueólogo e sua mãe professora universitária, então era inevitável que os pensamentos dela fossem um tanto feudais.
Quando seus pais perceberam que ela era uma mulher solteira de quase 30 anos de idade, sem namorado, ficaram muito ansiosos.
Quando ela estava no exterior, os pais nunca mencionavam o assunto, mas após poucos dias de seu retorno, ela já estava cansada de ouvir reclamações.
Yvonne reclamou comigo: "Se eu soubesse disso, não teria voltado".
Eu ri exultante por um tempo e disse: "Acho que seus pais estavam com receio de que você encontrasse um genro estrangeiro lá fora, então eles não insistiram no assunto. Não foi fácil convencer você a voltar. Então é claro que eles aproveitaram a oportunidade para escolher um marido local para você antes”.
Ela bateu com a cabeça na mesa e disse: "Por que estou tão infeliz?".
Tomei um gole do meu café e não a consolei.
Na verdade, só a encontrei hoje porque ela me ligou pedindo ajuda pela manhã, contando que os pais haviam combinado um encontro às cegas para ela.
Yvonne nunca tinha feito tal coisa antes, então estava muito nervosa e me incluiu na história... como uma vela.
Quanto mais ela falava, mais se sentia impotente. Finalmente, se deitou na mesa desamparada. Eu estava prestes a lembrá-la de que seu cabelo estava quase dentro do café, mas não tive tempo, alguém de repente puxou o cabelo dela.
Yvonne pensou que fosse minha mão, então a agarrou, mas sentiu que algo estava errado, então se assustou e perguntou: "Quem é você?".
Ele era muito bonito e passava uma sensação de gentileza e autocontrole. Era justamente o encontro às cegas dela.
Talvez ele também estivesse incomodado com a situação, pois havia trazido um amigo junto.
Então, o encontro às cegas parecia um encontro de dois casais.
O nome dele era Yeates Moore e vinha também de uma família de acadêmicos. O nome do amigo era Faye, cujos pais tinham pequenos negócios.
Ao ouvir que a família dele era de acadêmicos, Yvonne lembrou do conservadorismo dos pais, e de repente ficou com uma má impressão de Yeates, esquecendo-se de que partilhavam a mesma origem.
Conversei com Faye e observei o comportamento deles em silêncio. Percebi que a Yvonne queria terminar o encontro, mas ele era muito cavalheiro, então ela não podia mentir ou fugir.
E a sensação que ele passou ... parecia ter se apaixonado por ela?
Não parecia ser o caso, mas a maneira como ele olhava para Yvonne era como ... olhando para sua esposa.
Isso dava a impressão de que se conheciam há muito tempo.
Tinham chance de virar um casal, eu acho.
Faye não falou muito, mas foi muito educado. Ele era o tipo de pessoa que respondia a todas as perguntas que os outros faziam e ficava quieto depois. Embora isso fizesse os outros ficarem confortáveis, ele não tinha presença alguma. Felizmente, ele era bonito, então mesmo que não dissesse nada, alguém o observaria em silêncio.
Depois de algum tempo no café, Yeates convidou todos para jantar. Yvonne quis recusar, mas sua mãe de repente lhe enviou uma mensagem perguntando sobre o encontro. Ela ficou com receio da mãe incomodá-la quando voltasse, então concordou.
Durante a refeição, ele não comeu muito, mas ficou enchendo o bowl da Yvonne e explicando a origem dos pratos.
Vi que ela estava impaciente, "Eu nasci aqui. Precisa mesmo me explicar todos os pratos?".
Depois fomos ao karaokê. Eu não sabia o que a Yvonne estava pensando. Talvez não conseguisse mais suportar ou quisesse que ele se retirasse por conta própria. Geralmente, ela cantava bem, mas cantou com uma voz estranha de propósito. A música que pediu foi Qinghai-Tibet Plateau, e sua performance foi realmente terrível.
Eu, que realmente era desafinada, não consegui aguentar.
Ela não só cantou mal, como também foi muito atirada hoje. Ela estava decidida a beber com ele, algo que não podia exagerar, mas pediu ao garçom que trouxesse uma dúzia de cervejas.
Fiquei encarando a cerveja e pensei em persuadi-la. De repente, percebi que ela o estava olhando de forma diferente.
Ela abriu uma garrafa e colocou na mesa. Olhou para Yeates provocativamente e disse: "Se você conseguir ganhar de mim hoje, eu tento namorar você. Topa?".
Eu e Faye olhamos para eles sem dizer nada. Yeates sorriu e estendeu a mão para pegar a cerveja e respondeu: "Você não precisa beber, eu dou conta de todas as garrafas. Não vá se arrepender".
Então o vimos beber garrafa atrás de garrafa, como se fosse um alimento nutritivo. E o fez rápido e de uma vez só, como se alguém fosse roubá-las.
Mas quando bebeu a terceira garrafa, não conseguiu mais engolir. A cerveja escorreu no canto da boca dele. Yvonne gritou: "Beba tudo!".
Ele a fitou e pediu a Faye que trouxesse outra garrafa.
Faye não disse nada e não tentou demovê-lo da ideia. Ele foi pegar a cerveja sem dizer uma palavra. Olhei para ele me segurando para não falar nada, pensando que ele era realmente um péssimo amigo.
Não sei quantas garrafas foram, mas Yeates pegava mais uma toda vez que não conseguia beber uma inteira. Ele vomitou no banheiro algumas vezes, não conseguia mais beber, mas mesmo assim continuava com a cerveja na mão.
Ele estava tão bêbado que não conseguia mais se sentar. Continuava gritando que podia beber.
"Onde você estava? Por que está cheirando a álcool?" Ele se sentou no sofá e perguntou de repente com nojo.
Senti o cheiro inconscientemente e retruquei: "Eu não bebi."
"Então por que está fedendo se não bebeu?"
"Talvez tenha sido quando ajudei Yeates..." Parei. Eu não queria falar com ele, por que estava me explicando para ele agora?
"Quem é Yeates?"
Movi os lábios para responder, mas de repente falei: "Não é da sua conta".
Ezequiel ficou azul, "Você ficou com aquele homem o dia todo?".
"E daí?"
"Nada, mas tenho que lhe lembrar que você é minha esposa. É melhor não fazer nada vergonhoso." Ele disse friamente.
E foi só isso.
O que eu esperava? Eu até o havia feito entender errado de propósito. Nossa, eu estava louca.
"Tudo bem." Não perdi tempo discutindo com ele. Na verdade, eu estava um pouco cansada dessa vida. Morávamos na mesma casa, nos víamos todos os dias. Quando falávamos, machucávamos um ao outro. Basicamente, não havia uma linguagem comum, só muito cansaço.
Parece que ele não esperava que eu cedesse tão rápido. Ficou atordoado por um tempo, depois abaixou a cabeça para continuar a trabalhar e não disse mais nada. Então eu subi.
Para falar a verdade, não havíamos feito as pazes todos esses anos por orgulho.
Sempre que um atacava o outro, ambos disputávamos com palavras cruéis.
Mas, na prática, as palavras proferidas para magoar também nos machucavam. Se não ferimos os outros de forma maliciosa, como os outros poderiam ser cruéis para retaliar?
De qualquer modo, se um de nós cedesse, o outro pararia.
Nós sabíamos disso, mas ninguém estava disposto a parar primeiro.

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