— Humpf!
Fidelis soltou mais um grunhido frio, deixando claro que não acreditava em uma palavra daquela desculpa.
Damião, ao lado, comentou:
— Sr. Vasconcelos, ouvi dizer que o seu pai tem frequentado bastante a sede do grupo ultimamente. Ele pretende voltar a assumir os negócios?
— Talvez. — A expressão de Leonardo manteve-se inalterada. — Afinal, como eu perdi a visão, é natural que ele retorne para tomar as rédeas.
Damião acenou em concordância.
— É verdade. O seu pai passou todos esses anos no exterior, mas antigamente era ele quem comandava o grupo. Ele ainda possui grande capacidade e pulso firme para os negócios.
Fidelis lançou um olhar severo para o filho.
— Você não vai descer para receber os convidados? Já que convidaram tanta gente, vão deixá-los lá embaixo, plantados?
Damião sorriu, sem jeito, e dirigiu-se a Leonardo:
— Sr. Vasconcelos, deixo o velho mestre sob seus cuidados. Converse um pouco com ele, eu preciso descer agora.
Leonardo fez um leve aceno.
— Claro.
Damião levantou-se e deixou a sala.
Fidelis, então, fixou os olhos em Mirela e ordenou com aspereza:
— Você também, saia. Tenho coisas a tratar a sós com ele.
Mirela assentiu calmamente.
— Tudo bem.
O idoso não gostava dela, isso era evidente. Ela também não tinha o menor interesse em continuar ali, e, já que ele a estava expulsando abertamente, não havia motivos para tentar forçar simpatia.
As sobrancelhas de Leonardo se juntaram em uma expressão de desagrado.
— O que significa isso, velho mestre?
Fidelis retrucou:
— Quero falar com você e não quero que ninguém ouça. Por acaso, não posso?
É típico dos mais velhos se apegarem às próprias vontades, não é mesmo?
Mirela interveio suavemente:
— Eu vou ficar ali perto da porta. Daqui a pouco venho te buscar.
— Esses seus olhos, não há mesmo nenhuma esperança de cura?
O tom de Leonardo continuou brando, como se não se importasse com o próprio infortúnio.
— Talvez melhorem um dia. Não tenho pressa.
— Como pode não ter pressa? — As sobrancelhas de Fidelis se uniram em reprovação. — Até eu, que vivo recluso, já ouvi falar dos problemas da sua família. Tanta gente de olho no Grupo Vasconcelos, e você não se preocupa nem um pouco com isso?
Leonardo deu um leve sorriso de canto.
— Eu não me preocupo. Nosso presidente já decidiu que o Grupo Vasconcelos será herdado por Marcos Vasconcelos no futuro. Se alguém deve se preocupar, é ele.
— Seu moleque insolente...
Fidelis sentiu a raiva subir, mas, ao encarar aqueles olhos sem vida, não conseguiu explodir.
A frustração pesava no peito do velho, deixando-o sem saber o que fazer.
Leonardo inclinou levemente a cabeça na direção de onde vinha a voz dele.
— Velho mestre, não se desgaste com meus problemas. O senhor já tem idade, deveria estar apenas aproveitando a vida.
Porém, Fidelis não cedeu.
— Eu te considero quase como um discípulo. Se não fosse por aquele incidente de quatro anos atrás, você nunca teria precisado assumir o Grupo Vasconcelos. Eu sei de um método que talvez possa restaurar a sua visão. Você estaria disposto a tentar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...