As veias das têmporas de Dário saltavam de tanta raiva, e sua expressão mergulhou num abismo de frustração.
Ele ergueu o olhar para Leonardo.
— Sua mãe está ciente disso?
Leonardo foi pragmático:
— Ela não questionará minhas decisões.
Fez uma pausa, adotando um tom permeado de ironia, e acrescentou:
— Só agora se lembrou da minha mãe? Você estava convencido de que ela o amava tanto que jamais aceitaria o divórcio, não é?
Dário argumentou:
— Estamos casados há décadas. Isso é algo que nós dois deveríamos discutir.
A expressão de Leonardo endureceu.
— A essa altura do campeonato, você ainda quer impor condições? Pelo visto, você não se importa nem um pouco com a vida daquela pessoa que eu estou guardando.
Dário fechou e abriu os punhos repetidas vezes. Finalmente, derrotado, soltou um longo suspiro, pegou a caneta e assinou o acordo de divórcio.
— Além disso, seus capangas assustaram minha esposa ontem à noite. Você deve a ela uma compensação financeira por danos morais. Considerando o fato de que já fomos família, não vou exagerar na quantia. Um bilhão, transferidos para a conta dela em até três dias. — Leonardo estampou um sorriso zombeteiro no rosto. — Acho que não preciso informar os dados bancários dela, não é? Afinal, você já fez uma transferência para ela antes.
— Você!
Ouvir aquilo fez o rosto de Dário escurecer de vez. As chamas da raiva dançavam em seus olhos.
— Você está cruzando todos os limites!
Leonardo retrucou friamente:
— Eu já estou sendo muito misericordioso. Se eu realmente quisesse te destruir, não sobraria um único centavo para você.
Dário sentiu o peso esmagador da impotência.
Mesmo com o filho cego diante dele, Dário percebeu que não era páreo para Leonardo.
O jovem conhecia todos os seus segredos, todos os seus pontos fracos, enquanto ele próprio já estava velho, incapaz de travar aquela guerra.
Mais uma vez, um arrependimento corrosivo inundou o peito de Dário: por que não fora Leonardo quem morrera naquele acidente aéreo anos atrás?
Se ao menos Roberto, seu filho preferido, ainda estivesse vivo...
— Então o vovô tem que morar aqui sempre. Quero que brinque comigo.
— Tudo bem — Dário prometeu, acomodando o garoto de volta na cadeira de rodas.
Ele virou-se para Teresa e disse:
— Teresa, preciso conversar com você.
Teresa ficou momentaneamente surpresa; fazia anos que ele não a chamava pelo nome com tanta seriedade.
Se a memória não lhe falhava, isso ocorrera apenas após o nascimento de Leonardo. Desde então, ele fora distante tanto com o filho quanto com ela.
O olhar dela tornou-se indecifrável. Ela se levantou e, em silêncio, o acompanhou até o escritório.
Assim que a porta se fechou, ela questionou:
— O que você quer falar?
Dário abaixou a cabeça de leve, soltou um suspiro profundo, virou-se e a encarou com uma expressão repleta de dor e remorso.
— Teresa, me perdoe... Eu falhei com você...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...