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Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade romance Capítulo 1068

Contanto que Teresa conseguisse conter Leonardo, Dário jamais seria expulso da família.

Para ele, abrir mão das ações e propriedades era um pequeno preço a pagar. Enquanto continuassem oficialmente casados, ele seguiria desfrutando de todas as regalias e luxos da vida atual.

Na pior das hipóteses, se Leonardo decidisse mandá-lo para o exterior, para viver com a velha matriarca, ainda seria um destino infinitamente superior a ser enxotado da residência sem nada.

Dário esfregou o rosto, moldou um sorriso sereno e desceu para brincar com Marcos.

...

Na Villa Serra Verde.

Mirela acabara de jantar. Notando que Eulália não havia descido, sentiu uma pontada de preocupação e decidiu subir para ver como ela estava.

Quando Eulália havia chegado de São Lúcio, trouxera consigo uma grande caixa repleta de livros de medicina oriental e tratamentos naturais.

Neste momento, a caixa estava aberta, e todo o piso de madeira do quarto estava coberto por livros de medicina espalhados. Eulália parecia ter afundado em um oceano de fórmulas botânicas e anotações sobre diagnósticos energéticos.

Quando Mirela entrou no quarto, o olhar de Eulália estava distante e vazio. Ela murmurou com a voz rouca:

— Mirela... O que faz aqui?

A cena quase fez Mirela rir. Ela sentou-se na frente da médica e perguntou:

— Já encontrou alguma resposta?

Eulália soltou um suspiro exausto, balançando a cabeça.

— Nenhuma. Faz muito tempo que eu não precisava mergulhar tão fundo nesses manuais antigos. Parece que as informações tentam invadir meu cérebro, mas há um bloqueio... Elas simplesmente batem na porta e não entram.

Mirela não conseguiu conter um sorriso diante da explicação.

— Que tal descermos para comer alguma coisa e esfriar a cabeça?

Eulália assentiu fracamente.

— Sim, eu preciso de uma pausa. Se eu continuar assim, sinto que a minha alma vai descolar do corpo.

Mirela pegou as mãos dela e a ajudou a se levantar.

A sensação de que a alma queria sair do corpo era quase palpável: os passos de Eulália pareciam flutuar.

Ao chegarem à sala de jantar, viram que Leonardo já estava à mesa, com uma postura inabalavelmente calma.

Eulália o encarou, estupefata, e questionou:

Mas dentro de Eulália havia um nó de apreensão. Tinham recorrido a ela por suas habilidades e ela havia conseguido curar Mirela com maestria. Falhar em trazer a visão de Leonardo de volta se tornara uma obsessão pesada em sua mente.

Se a cegueira dele fosse permanente, ela acreditava que ficaria magra de desgosto.

Após o jantar, Mirela convenceu Eulália a dar uma caminhada pelo jardim. Com a temperatura ficando amena, as flores começavam a despontar, trazendo pinceladas de cores vibrantes à paisagem.

Mirela tentou confortá-la:

— Se por acaso isso for irreversível, não se culpe. Você está se doando ao máximo, utilizando todos os recursos terapêuticos disponíveis.

Eulália abaixou os olhos e murmurou, hesitante:

— Eu só... Eu só sinto que é uma tragédia.

Ela fitou Mirela com pesar.

— Um homem como ele, condenado à escuridão... É um desperdício doloroso demais.

Uma onda de melancolia invadiu o coração de Mirela, despertando as lembranças do Leonardo radiante do passado.

O formato de seus olhos era cativante. Ele sempre costumava encará-la com uma centelha de provocação maliciosa. No começo, o olhar dele era carregado de uma paixão tão avassaladora que parecia capaz de incinerar tudo ao redor, afogando-a constantemente naquela intensidade.

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