Contanto que Teresa conseguisse conter Leonardo, Dário jamais seria expulso da família.
Para ele, abrir mão das ações e propriedades era um pequeno preço a pagar. Enquanto continuassem oficialmente casados, ele seguiria desfrutando de todas as regalias e luxos da vida atual.
Na pior das hipóteses, se Leonardo decidisse mandá-lo para o exterior, para viver com a velha matriarca, ainda seria um destino infinitamente superior a ser enxotado da residência sem nada.
Dário esfregou o rosto, moldou um sorriso sereno e desceu para brincar com Marcos.
...
Na Villa Serra Verde.
Mirela acabara de jantar. Notando que Eulália não havia descido, sentiu uma pontada de preocupação e decidiu subir para ver como ela estava.
Quando Eulália havia chegado de São Lúcio, trouxera consigo uma grande caixa repleta de livros de medicina oriental e tratamentos naturais.
Neste momento, a caixa estava aberta, e todo o piso de madeira do quarto estava coberto por livros de medicina espalhados. Eulália parecia ter afundado em um oceano de fórmulas botânicas e anotações sobre diagnósticos energéticos.
Quando Mirela entrou no quarto, o olhar de Eulália estava distante e vazio. Ela murmurou com a voz rouca:
— Mirela... O que faz aqui?
A cena quase fez Mirela rir. Ela sentou-se na frente da médica e perguntou:
— Já encontrou alguma resposta?
Eulália soltou um suspiro exausto, balançando a cabeça.
— Nenhuma. Faz muito tempo que eu não precisava mergulhar tão fundo nesses manuais antigos. Parece que as informações tentam invadir meu cérebro, mas há um bloqueio... Elas simplesmente batem na porta e não entram.
Mirela não conseguiu conter um sorriso diante da explicação.
— Que tal descermos para comer alguma coisa e esfriar a cabeça?
Eulália assentiu fracamente.
— Sim, eu preciso de uma pausa. Se eu continuar assim, sinto que a minha alma vai descolar do corpo.
Mirela pegou as mãos dela e a ajudou a se levantar.
A sensação de que a alma queria sair do corpo era quase palpável: os passos de Eulália pareciam flutuar.
Ao chegarem à sala de jantar, viram que Leonardo já estava à mesa, com uma postura inabalavelmente calma.
Eulália o encarou, estupefata, e questionou:
Mas dentro de Eulália havia um nó de apreensão. Tinham recorrido a ela por suas habilidades e ela havia conseguido curar Mirela com maestria. Falhar em trazer a visão de Leonardo de volta se tornara uma obsessão pesada em sua mente.
Se a cegueira dele fosse permanente, ela acreditava que ficaria magra de desgosto.
Após o jantar, Mirela convenceu Eulália a dar uma caminhada pelo jardim. Com a temperatura ficando amena, as flores começavam a despontar, trazendo pinceladas de cores vibrantes à paisagem.
Mirela tentou confortá-la:
— Se por acaso isso for irreversível, não se culpe. Você está se doando ao máximo, utilizando todos os recursos terapêuticos disponíveis.
Eulália abaixou os olhos e murmurou, hesitante:
— Eu só... Eu só sinto que é uma tragédia.
Ela fitou Mirela com pesar.
— Um homem como ele, condenado à escuridão... É um desperdício doloroso demais.
Uma onda de melancolia invadiu o coração de Mirela, despertando as lembranças do Leonardo radiante do passado.
O formato de seus olhos era cativante. Ele sempre costumava encará-la com uma centelha de provocação maliciosa. No começo, o olhar dele era carregado de uma paixão tão avassaladora que parecia capaz de incinerar tudo ao redor, afogando-a constantemente naquela intensidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...