Ela apertou os papéis do divórcio com força, amassando-os sem perceber. Os cílios tremiam sem parar enquanto ela falava, cheia de mágoa:
— Eu me esforcei tanto antes para conseguir o divórcio, para me libertar desse relacionamento, mas você sempre se recusou. E agora, justo depois de me ajudar tantas vezes e me fazer sentir culpada, você decide concordar...
Ela ergueu os olhos, com o olhar brilhando suavemente em direção a ele.
— Quem você acha que eu sou?
A respiração de Leonardo falhou por um instante. Logo, ele se aproximou dela, tocando a mão que pendia ao lado do corpo e deslizando suavemente até acariciar sua bochecha.
Ela virou o rosto, desviando do toque dele.
— Mirela, eu não preciso que você sinta culpa, porque tudo o que fiz foi de boa vontade. — A voz de Leonardo soou extremamente gentil. — Claro que, se você sente culpa e tristeza, eu fico feliz. Isso mostra que você ainda se importa comigo e que eu não sou tão terrível assim.
— Mas... — Ele suspirou levemente e continuou: — Do jeito que estou agora, não posso te ajudar em nada, só serei um fardo. Sendo assim, é melhor nos divorciarmos. A partir de agora, não teremos mais nenhuma ligação, e o que acontecer com a vida ou a morte de um não será mais problema do outro.
Mirela respirou fundo várias vezes para acalmar suas emoções. Ela enxugou o canto dos olhos, colocou os papéis do divórcio sobre a mesa do escritório e declarou:
— Hoje é apenas o sexto dia, não é? Vamos esperar o dia de amanhã terminar para falar sobre isso.
Em seguida, ela se virou e saiu direto do escritório.
— Mirela...
Leonardo a chamou pelas costas, mas o som dos passos dela apenas se distanciou cada vez mais.
Ele soltou um suspiro impotente.
Por causa da culpa, ela não escolheria ir embora. Era isso?
Mas esse não era o desfecho que ele desejava.
...
Mirela saiu diretamente da Villa Serra Verde. Ela contatou o corretor e vendeu a casa no Portal do Moinho.
Hoje era o dia de assinar o contrato.
Depois disso, ela comprou outro apartamento, em um condomínio diferente, com segurança bem mais rigorosa, onde qualquer entrada ou saída exigia registro.
Brenda parou na frente dela, sorriu de forma constrangida e explicou:
— Eu trabalho aqui. Faço um turno de quatro horas à noite. O salário aqui é muito bom, dá para pagar as minhas mensalidades e as despesas de casa.
O olhar de Mirela se tornou um pouco complexo ao notar a maquiagem caprichada no rosto da garota, claramente feita para se adequar às exigências do lugar.
— Mirela, me desculpe. — Brenda pareceu reunir muita coragem ao se curvar para pedir perdão.
Mirela compreendeu mais ou menos o motivo do pedido e respondeu:
— Você não fez nada de errado, não precisa se desculpar comigo.
— Eu menti para você. — Os olhos de Brenda ficaram marejados. — É verdade que eu gostava do Sr. Vasconcelos, mas nunca ousei sonhar em ficar ao lado dele. Foi alguém que me disse para lutar por isso que me fez perder o controle...
Mirela a encarou com calma.
— Essa também foi uma escolha sua.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...