Mirela mordeu o lábio inferior com força, lutando para controlar as emoções.
Ela recuou, não entrou no quarto de imediato e ficou do lado de fora por mais um bom tempo. Só quando teve certeza de que não desabaria em lágrimas é que finalmente entrou.
Patricia já estava dormindo. Mirela se deitou direto na cama de acompanhante e ficou observando o rosto sereno da avó adormecida. Aquela parte do seu coração que ainda sangrava por afeto, ela a arrancou de vez, figurativamente, e jogou fora.
Não queria mais aquilo.
Ela já tinha entendido a realidade cruel. Não havia mais motivo para sofrer por isso.
Suas convicções também se tornaram inabaláveis.
Gonçalo e Filomena estavam em dívida com ela. Se ousassem dar mais dinheiro à Fátima, ela não mediria consequências.
Quanto ao Grupo Medeiros, mesmo que não o quisesse para si, estava disposta a destruí-lo!
...
No dia seguinte, Filomena não apareceu no hospital.
Patricia também não perguntou por ela. Ao notar o rosto abatido da neta, perguntou com carinho:
— Minha querida, você não dormiu bem esta noite?
Mirela assentiu.
— É... fiz hora extra ontem e estou bem cansada.
Patricia aconselhou:
— Você precisa equilibrar trabalho e descanso, senão sua saúde vai acabar piorando.
Mirela concordou docilmente.
— Eu sei, vó. Vou seguir o seu conselho.
Ela pediu que os três cuidadores voltassem para continuar cuidando de Patricia.
Depois de tomar café da manhã, foi para o trabalho. Assim que chegou à empresa, recebeu uma ligação.
— Alô, bom dia. Falo com a senhora Mirela Medeiros? — soou a voz de um homem jovem.
— Quem fala? — Mirela perguntou, um pouco confusa.
— Meu nome é Marcelo Barreto. Sou o advogado encarregado por dona Patricia de transferir os bens dela para o seu nome. A senhora teria disponibilidade agora? Seria conveniente nos encontrarmos?
Mirela arregalou levemente os olhos; ela quase tinha se esquecido disso!
De repente, lembrou-se de que, antes de adoecer, a avó tinha mencionado que iria embora e deixaria tudo para ela.
Pensando bem agora, Patricia provavelmente já sabia da própria condição de saúde e, por isso, tomou aquela atitude.
Um nó se formou na garganta de Mirela, e uma angústia apertou seu peito.
Ela respirou fundo algumas vezes antes de responder:
— Sim, tenho tempo. Vou lhe mandar a localização.
Mirela ficou paralisada:
“...”
Ela ficou completamente pasma.
Sua avó... era tão rica assim?
Pelo visto, a família Medeiros não possuía nenhuma ilha particular.
E a família Vasconcelos?
Ah, isso ela não sabia.
Nunca tinha procurado saber a verdadeira extensão da fortuna dos Vasconcelos.
De qualquer forma, já não estava nem aí para eles.
O fato era que, ao herdar tudo aquilo, o patrimônio dela simplesmente deixaria a fortuna da família Medeiros no chinelo!
Uma mistura de euforia e emoções complexas tomou conta dela.
Pegou a caneta e começou a assinar as páginas. Quando terminou de rubricar e assinar todos os documentos, uma hora já tinha se passado.
Marcelo recolheu os papéis com cuidado e abriu um sorriso profissional:
— Senhora Medeiros, a partir de hoje, fico inteiramente à sua disposição para continuar administrando esse patrimônio. Obviamente, se a senhora tiver alguém de maior confiança para o cargo, sinta-se à vontade para me substituir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...