O olhar dele era brilhante, livre de toda a dor e do peso dos anos turbulentos. Ele balançou a cabeça, mas, ao sentir uma pontada de dor, franziu a testa, ofegou um pouco e continuou:
— Mesmo você sendo parecida, eu não posso te levar pra casa. Eu só posso ter uma filha, a Mirela. Se aparecer outra, ela vai ficar muito magoada.
Depois, ele desviou o olhar e voltou a chamar o nome de Mirela.
Ao ouvir isso, a expressão de Mirela congelou. Uma pontada aguda atingiu seu peito, mas foi uma dor que veio rápido e desapareceu na mesma velocidade.
Ela respirou fundo, virou-se de costas e saiu do quarto.
Ela pediu a Oliver que contratasse mais um profissional de enfermagem, garantindo que houvesse duas pessoas cuidando de Gonçalo, e logo em seguida partiu.
Aquilo era o máximo que ela poderia fazer.
Ela não iria perdoá-lo, nem perderia mais tempo presa ao passado. Ela tinha um longo caminho pela frente e não faria sentido ficar presa a tristezas passadas.
(...)
Condomínio Villa Serra Verde.
Assim que Eulália a viu entrar, correu em sua direção, cheia de preocupação:
— Mirela, não aconteceu nada de grave, não é?
Mirela pegou o celular e digitou:
— Ele está com Alzheimer.
Eulália ficou estática ao ouvir isso, mas logo perguntou:
— E agora? O que você pretende fazer?
— Eu não tenho grandes planos. — Mirela continuou a escrever. — No futuro, vou interná-lo numa clínica de repouso. Considero isso o pagamento pelo fato de ele ter me criado.
Eulália acenou com a cabeça:
— Está certo, é o mais justo. Eles te fizeram tanto mal, e você ainda tem a grandeza de fazer isso. Eles que lidem com o remorso!
Mirela esboçou um sorriso fraco, preferiu não acrescentar nada e foi direto para a sala de jantar.
Leonardo Vasconcelos estava na mesa. Ao ouvir os passos dela, virou o rosto em sua direção e comentou:
— Oliver já me contou o que aconteceu. Se quiser tomar alguma atitude, estou aqui para ouvir.
Mirela sentou-se e articulou cada sílaba:
— Não... te-nho... na-da... em... men-te.
Leonardo murmurou em concordância:
Assim que saíram da suíte, Eulália lhe deu um abraço apertado:
— Feliz Ano Novo, minha querida!
Mirela retribuiu o abraço caloroso e as felicitações. Depois, olhou para ela com olhos brilhantes e perguntou:
— Mi-nha... voz... es-tá... me-lhor?
Eulália assentiu com vigor:
— Sem dúvida. O timbre está muito mais suave. De agora em diante, tente formular uma frase inteira. Pratique um pouco mais a cada dia, e aos poucos vai voltar ao normal.
Mirela acenou positivamente; ela se esforçaria para treinar.
Logo em seguida, ela franziu a testa e perguntou:
— E os... o-lhos... de-le? Ain-da... não... es-tão... bons?
Eulália suspirou profundamente:
— Ao avaliar o ritmo interno pelo pulso, não detectei problemas. Mas vamos precisar fazer um check-up clínico depois das festas para ter certeza.
Mirela sentiu um peso no coração. Ela estava melhorando a cada dia, mas ele continuava cercado pela escuridão. O que de fato estava acontecendo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...