David apenas levantou os olhos por um instante, avistando aquele cabelo azul, e um traço de desdém passou por seu olhar. No segundo seguinte, ele já havia abaixado a cabeça novamente, continuando seu trabalho.
Natan Jardim, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça, aproximou-se sorrindo, com um tom de voz carregado de sarcasmo: "Primo, fiquei sabendo que você vai casar, e sua noiva é justamente aquela herdeira que a Família Gomes reencontrou, chamada Jessica."
O olhar de David permaneceu frio e tranquilo, respondendo apenas com um leve "Uhum", como se aquilo não tivesse nada a ver com ele.
"Você tá calmo demais!" Natan elevou a voz de forma exagerada. "Isso é casamento, pô, coisa séria na vida! Como é que você não tem nenhuma reação?"
David semicerrrou os olhos, largando a caneta que segurava.
"E você acha que eu deveria reagir de que jeito?"
Natan coçou o queixo, fazendo uma cara preocupada: "Ouvi dizer que a filha da Família Gomes já tem filhos, e não é um só, são quatro! Meu Deus, você vai mesmo assumir esse pacote completo?"
A expressão de David não sofreu a menor alteração.
"E daí?"
Natan fez uma careta de desagrado: "Você é o herdeiro do Grupo Martins, pode ter qualquer mulher que quiser! Por que casar logo com uma que já teve filhos... O que é que você gosta nela, afinal? O rosto bonito, o jeito doce, o corpão ou é porque ela já teve quatro filhos e aí você se livra da dor de cabeça de ter filho?"
David o olhou de lado, o olhar afiado e gélido: "Se não entende, não precisa perguntar."
Natan fez um biquinho: "Tá bom, tá bom... De qualquer forma, você também não é mais santo, né? Até hoje não achou aquela mulher que dormiu com você cinco anos atrás?"
Ao mencionar o episódio de cinco anos atrás, o rosto de David escureceu de imediato, como se tivessem derramado tinta preta sobre ele.
Vendo isso, Natan ficou um pouco sem jeito, percebendo que tocara numa ferida aberta de David. Tentou logo aliviar o clima: "Já faz cinco anos, não me diga que você ainda não superou?"
Nos olhos de David passou uma sombra fria: "Natan! Você já está falando demais..."
Ao ouvir isso, Natan fechou a boca na hora.
Ele sabia que aquele acontecimento era o calcanhar de Aquiles de David, uma vergonha que jamais deveria ser mencionada. Com certeza, tinha passado do limite.
O respeitadíssimo Diretor Martins ter sido "usado" por uma mulher desconhecida, que ainda fugiu depois... se isso se espalhasse, não seria humilhação pouca!
Natan tentou remendar: "Primo, olha, o que eu quis dizer é que, já que ela teve filhos e você também não é mais puro, até que vocês combinam bem..."
Depois de um momento, levantou a cabeça e percebeu que Natan já tinha dado no pé.
Hmph, fugiu bem rápido.
O olhar de David escureceu. Ele abriu a gaveta, de onde tirou uma pulseira de contas vermelhas, dessas para dar sorte.
Era a única lembrança que aquela mulher tinha deixado para ele cinco anos atrás, e ele a guardava até hoje.
"Já se passaram cinco anos. Onde você está, afinal?"
Durante esses cinco anos, ele nunca parou de procurá-la. David sempre fora alguém com obsessão tanto psicológica quanto física por limpeza. Mesmo tendo sido aproveitado por aquela mulher quando estava com as pernas paralisadas, e mesmo tendo sentido vontade de matá-la depois, ainda assim queria encontrá-la.
E então...
David apertou a pulseira na mão, os músculos do braço saltando sob a pele. Fechou os olhos, respirou fundo. Ao abri-los de novo, havia um brilho de insatisfação no fundo do olhar.
Logo depois, David discou para seu assistente e ordenou friamente: "Te dou mais dois meses. Se não encontrar ela até lá, pode parar de procurar!"

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