Ivone rapidamente digitou uma mensagem: [Não é nada sério. Faz o que você tem que fazer, eu me viro sozinha.]
Alguns segundos depois, chegou a resposta seca de Cássio: [Tá bom.]
Depois de guardar o celular, Ivone abriu a torneira. A água morna escorreu por entre os dedos dela, e o fluxo constante começou a acalmá-la aos poucos.
Era Natal, e o fluxo de pessoas entrando e saindo de Uíge estava várias vezes maior do que o normal. Ivone não tinha certeza se os homens de Douglas já poderiam estar infiltrados na movimentação da cidade. Pelo que ela via, o condomínio Vida Doce ainda era o lugar mais seguro para ficar antes de sair de Uíge.
Ela nunca ousava adivinhar as intenções de Fabiano, muito menos conseguia entender o motivo de ele insistir em mantê-la confinada no Vida Doce.
Quando voltou ao salão do restaurante, o olhar profundo e penetrante de Fabiano encontrou o dela. Ivone desviou o rosto com rapidez e disse:
— Eu já comi. Quero voltar para dormir.
O olhar de Fabiano continuava calmo, imperturbável como a superfície imóvel de um lago. Ele se levantou, pegou o cachecol de Ivone, que estava apoiado na cadeira, e caminhou em direção a ela.
— Vamos.
— Faz tempo que não durmo naquela cama do Vida Doce, acho que vou estranhar.
Ivone estendeu a mão para pegar o cachecol, mas Fabiano foi mais rápido. Ele o passou ao redor do pescoço dela e, frio, disse:
— Dorme comigo. Na ilha, vi que você dormiu muito bem.
Com isso, ele encerrou qualquer esperança que Ivone pudesse ter de voltar para o condomínio Diamante.
Ivone ficou sem resposta.
A ilha.
Ao lembrar-se dos dois dias e duas noites passados ali, tudo veio como uma lembrança distante, quase de outra vida.
Naquela ocasião, Fabiano tinha vindo atrás dela com tudo o que tinha, mobilizando uma força imensa que, provavelmente, até alertou seu avô materno.
Ela nunca conseguiu entender o que aquilo representava no coração de Fabiano. Ele permanecia em silêncio, sem compartilhar o que pensava. Mas, naquela noite, ele parecia estar disposto a morrer junto com ela na tempestade que os cercava.
Quando voltaram para o condomínio Vida Doce, Fabiano cumpriu suas palavras. Ele forçou Ivone a ir para a suíte principal e a colocou na cama dele para dormirem juntos.
No início, Ivone ficou de costas para Fabiano, mas não conseguia dormir, pois o braço dele segurava sua cintura com firmeza. O quarto tinha um cheiro suave de cedro que, aos poucos, fazia o sono começar a dominá-la.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!