O olhar de Paula escureceu um pouco. Ela percebeu Ivone ao lado, fingindo naturalidade enquanto revirava a bolsa, e foi até ela para segurar a mão dela.
Como ela temia, os dedos de Ivone estavam gelados como pedra de gelo. No instante em que Paula segurou a mão dela, Ivone enrijeceu levemente os dedos. Paula, então, apertou ainda mais.
Samuel lançou um olhar para Fabiano, que continuava impassível, sem qualquer reação. Ele franziu levemente a testa e, pelo canto do olho, viu a mão de Ivone sendo envolvida pela de Paula. Sem perceber, ele deu dois passos naquela direção, só depois voltando a olhar para quem saía do elevador.
— Maia, você se machucou? — Perguntou Samuel.
Samuel já tinha ido ao velório de Gabriel, então Maia não se surpreendeu por encontrar Samuel ali.
Maia, por reflexo, levou a mão à testa. Só que, como ela não via exatamente onde terminava a gaze, a ponta dos dedos acabou tocando o corte. Uma manchinha de sangue se espalhou no curativo, deixando o ferimento com um ar ainda mais sério.
Somado à palidez do rosto, ela parecia ainda mais frágil e indefesa. Mesmo assim, ela só franziu ligeiramente as sobrancelhas e respondeu, com aparente leveza:
— Não é nada, só um machucadinho.
Um "machucadinho" que tinha feito Fabiano largar tudo para trazê‑la pessoalmente ao hospital.
O olhar de Paula ficou ainda mais pesado.
Maia fez um sinal para que a empregada empurrasse a cadeira de rodas. Quando se aproximou, ela voltou a falar, em tom atencioso:
— Vovó, eu ouvi o Fabiano dizer que a senhora tava aqui, então eu vim ver como a senhora tá. Lá em casa esses dias tá tudo de luto, então eu não tive como ir na sua casa te visitar. A senhora tá passando mal? Como é que tão os exames?
De perto, o olhar de Paula desceu, sem querer, para as pernas de Maia. No passado, Maia realmente tinha perdido os movimentos das pernas tentando salvar Fabiano.
Mas a família Moraes jamais permitiria que uma mulher em cadeira de rodas entrasse para o clã, muito menos como esposa do futuro chefe da família, Fabiano.
Na época, o pai de Maia chegou a vir falar com Paula, dando voltas no assunto, tentando puxar conversa sobre um possível casamento. Sozinha, Paula segurou o peso da responsabilidade da família Moraes. Ela engoliu o rótulo de ingrata e recusou aquela união.
No fim das contas, era inegável: a família Moraes tinha uma dívida com Maia.
E Paula também carregava culpa em relação a ela. Por isso, os sentimentos de Paula sempre tinham sido confusos quando se tratava de Maia.
Então Paula assentiu com a cabeça e resmungou:

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