Alicia tinha certeza de que ele cuidaria bem do próprio filho...
Mas o problema era que Frederick a considerava somente um brinquedinho. Um brinquedo manipulador, aparentemente. No entanto, era ele que tinha arrumado um motivo para legalmente poder fazer sexo com ela.
'Como pude pensar que ele era uma boa pessoa?', perguntou-se Alicia.
De repente, a mulher começou a se achar não só patética, mas mesquinha.
Portanto, continuou comendo sem dizer uma palavra sequer durante a refeição.
Frederick não sabia em que a esposa estava pensando. Ele pensava no mesmo assunto que ela, mas tentava entender quem era a pessoa que havia dado o anticoncepcional para ela.
Depois daquele dia, Alicia passou a ver Frederick de um jeito diferente. A relação entre os dois mudou sutilmente. Ele continuou se preocupando com a mulher, mas ela só pensava em se proteger dele.
......
Frederick estava no escritório de sua empresa, a Soaver International, esfregando as têmporas para aliviar a dor de cabeça enquanto folheava alguns documentos.
De repente, bateram na porta. O homem se endireitou e disse: "Pode entrar".
Ao ver que era Chet, ele voltou a se recostar na cadeira de imediato.
"O que aconteceu? O senhor está cansado?", perguntou o assistente.
Ele caminhou até a mesa do chefe e lhe entregou os documentos e a chave do carro. "Comprei o carro que você pediu e vou mandá-lo para sua casa. É um Bentley branco."
"Ok." Frederick assentiu e ergueu a mão, sinalizando para que Chet se sentasse.
"O senhor precisa de alguma coisa?", perguntou o assistente. Parecia que o assunto não teria nada a ver com o carro recém-comprado.
"Pode começar a executar o plano. Quero que comece com Hallie", disse Frederick.
Chet ergueu os olhos, visivelmente surpreso. "O chefe já se decidiu?"
Frederick sempre escolheu não se vingar de ninguém por anos. Por que de repente decidiu mudar de ideia? Além disso, ela não estava na lista deles antes. O que ela havia feito para provocar a ira dele?
"Estou só pegando de volta o que me pertence", respondeu ele.
Chet se levantou e serviu uma xícara de café para cada um deles.
"Hallie deve ter uma parte das ações da empresa. Quero que alguém investigue a família dela. Aquela mulher é esnobe e não sabe pensar a longo prazo. Além disso, gosta de homens ricos e poderosos e acha que pode fazer o que quiser só porque tem o apoio deles. Odeio gente assim", continuou Frederick.
A princípio, o homem pretendia deixá-la em paz. Entretanto, ela escolheu maltratar uma pessoa próxima a ele.
Ao ouvir isso, Chet entendeu as intenções do chefe.
"Entendido. Vou arrumar para ela um gerente bonito que acabou de voltar do exterior."
"Certo." Frederick tomou um gole de café e acrescentou: "Não cometa erros! Lembre-se, ela não pode ligar o assunto conosco."
"Tudo bem", respondeu Chet.
......
Era mais um dia de trabalho para Alicia. Hoje, a mulher não precisava ir à boate para dançar. Ela havia acabado de entregar um manuscrito e não tinha nada para fazer por enquanto, portanto estava olhando fixamente para a tela do computador.
"Alicia, já vamos embora!"
"Tchau", respondeu ela.
A mulher se despediu dos colegas e, pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se bastante solitária. Ela descobriu que, nos últimos três anos, a única coisa que fez foi correr atrás de dinheiro. A única amiga dela, Lindsay, acabou por traí-la.
Entretanto, no passado, por pior que as coisas estivessem, ela ainda tinha um lar para o qual voltar. Alicia podia ir para casa, tomar uma sopa quente que a mãe havia preparado e dormir tranquila no fim do dia. Porém, atualmente, embora ainda tivesse uma casa, não podia voltar para lá. Caso contrário, a mãe ficaria preocupada e começaria a lhe fazer perguntas.
Alicia não entendeu por quê, mas quis se esconder. Ela se virou e foi correndo até a parte de trás de um carro, do outro lado da rua.
Na porta do hotel, Frederick deu um tapinha nas costas de Kaylee Vives para ajudá-la a se acalmar, visto que ela estava soluçando. "Você está bem?"
A mulher balançou a cabeça e não conseguiu esconder como estava triste.
"Está tarde. Vou ligar para Carson", disse Frederick.
Assim que ele se virou, a mulher puxou com força a manga da jaqueta dele. "Frederick, se eu não fosse irmã do seu amigo e se o vovô não tivesse te pedido esse favor, você nem teria jantado comigo, teria?"
O homem se virou, olhou para o braço dele, mas acabou decidindo não afastá-la. "Vejo que você está me perguntando bobagens de novo. Deve ter bebido demais."
Kaylee continuou balançando a cabeça, pois mal estava conseguindo conter as emoções.
"Tô bem sóbria e sei do que tô falando. Frederick, sei que você odeia mulheres, com exceção de Danica! Mas por que... Por que você preferiu se casar com alguém em vez de me dar uma chance? Você sabe que sempre gostei de você, por todos esses anos. Só passei um tempo fora. Por que você..."
A expressão do homem mudou de repente, e a voz dele tornou-se congelante: "Kaylee".
"É óbvio que você só liga pra ela! Sempre que falo nela, você fica com raiva. Ela é a única que é diferente!", gritou a garota.
Kaylee puxou a mão de volta e a colocou sobre a boca. Ela estava chorando e parecia estar prestes a cair no chão. O homem a segurou para que ela se mantivesse de pé.
A voz dele soou mais calma: "Já que você me conhece, chega de falar besteiras. Kaylee, sempre te vi como uma irmã. Você é diferente das outras pessoas, e não quero te machucar, entendeu? Você sempre vai ser minha irmã, e um dia vai encontrar alguém que te ame de volta".
Ela entendia, mas isso ainda a deixava triste. Ela não tinha esse direito, só porque ele a via assim? Por que Danica era tão especial para ele? Por que ele não gostava de nenhuma outra mulher?
Kaylee se jogou nos braços do homem e o abraçou com força. "Frederick!"
Ele a empurrou com uma certa força, mas não conseguiu afastá-la. Sua única opção foi pegar o celular e enviar uma mensagem a Carson.
Do outro lado da rua, Alicia sentia-se inquieta. Ela viu tudo, mas não ouviu a conversa entre os dois.

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