"Tá ficando tarde, você deveria arrumar suas coisas logo. Também tenho que descansar. Vocês dois, cheguem bem em casa", desejou a sra. Clements.
Alicia sabia que não poderia mais continuar ali. Nesse caso, pegou a bolsa e foi até Frederick.
"Vovó, a gente vem te visitar de novo", afirmou ela.
Em seguida, os dois foram até a porta, um atrás do outro. Quando estavam prestes a sair, a sra. Clements os deteve.
"Esperem, quase esqueci!"
"Amanhã é sexta-feira! Venham jantar com a gente. Mason vai estar aqui, assim como seu outro tio e a família dele. Não se esqueçam, hein?", disse ela.
Deu para perceber que ela dirigiu a última frase a Frederick, o que fez Alicia erguer um pouco os olhos e encará-lo.
"Ok, vovó", respondeu ele logo depois.
"Bom, é melhor vocês irem então. Tchau", despediu-se a sra. Clements.
Aí, sorriu e acenou com a mão. Quando Alicia se virou, imaginou ter visto a vovó piscando para ela, mas não teve certeza. Sendo assim, apenas acenou de volta para ela.
"Tchau, vovó!"
......
Assim que o carro começou a andar, Frederick lançou um olhar de desdém a Alicia. "Você está ficando cada vez mais ousada." Ela tinha vindo para reclamar dele? Para pedir que a avó desse um jeito nele?
A mulher ficou confusa. "Oi?"
Ela não entendeu e só conseguia pensar em tudo que a sra. Clements lhe contou antes. Sem perceber, Alicia olhou para ele com mais simpatia. Mulheres sempre tinham um coração mais mole que os homens. De repente, ela pareceu entender por que ele se fazia ser tão forte e poderoso. Uma pessoa forte não se machucava, afinal.
Quando pensou na vida que ele levou, ela concluiu que a dela foi simples demais em comparação!
Frederick apertou os olhos enquanto a encarava e disse: "Não quero mais saber dessas picuinhas no futuro. Você não pode mais ir incomodar a vovó."
Alicia sentiu um arrepio e entendeu na mesma hora. Foi a sra. Clements quem pediu que ele fosse buscá-la.
Só podia ser essa a razão. Caso contrário, como o homem saberia onde ela estava?
"Não..." Ela quis negar, pois não estava querendo incomodar ninguém.
Entretanto, na hora em que foi explicar, viu a impaciência no olhar dele e deixou os ombros caírem. "Ah, tá bom. Não vou fazer isso de novo."
Na verdade, ela foi lá porque quis. Antes, Alicia visitava nos fins de semana, quando estava livre. Nos dias da semana, ela apenas ligava para a sra. Clements para dar um oi e perguntar se estava tudo bem. A intenção dela, hoje, realmente foi conseguir informações; ela só não esperava que a verdade seria essa.
Agora, a mulher entendia porque o marido era tão obediente à avó. Ele se importava muito com ela, de verdade. A princípio, Alicia desejava que a sra. Clements criasse oportunidades para que ela e Frederick conversassem, porém isso provavelmente só o deixaria mais irritado.
Ele jamais permitiria que alguém incomodasse a avó, por mais que a possibilidade de ela se sentir incomodada fosse minúscula.
Alicia compreendeu logo em seguida que não deveria ter feito isso.
Portanto, não tentou se defender enquanto iam para casa e só ficou em silêncio. Como era de se esperar, Frederick também permaneceu calado. Por consequência, eles continuaram em um impasse.
......
Felizmente, a forma fria e desdenhosa com a qual ele a olhava não significou muito. Na noite seguinte, eles tinham que voltar para a mansão dos Clements para o jantar em família. Esse tipo de coisa costumava ser um pé no saco para Alicia, mas, no momento, ela estava feliz por estarem indo.
Enquanto estava trocando de roupa, demorou bastante para escolher o look, porque não era a primeira vez que estava indo lá. Desta vez, a preocupação dela era ficar mais bonita para Frederick. No final, ela escolheu uma camisa casual de tricô e uma calça preta. Depois, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo simples, dando a si mesma uma aparência menos reservada e mais jovem.
Durante a viagem até lá, foi Frederick se concentrou em dirigir o carro e sequer olhou para a esposa. Alicia estava acostumada com isso e, de vez em quando, olhava pela janela. A mulher estava sorrindo.
Assim que chegaram no pátio, um criado veio cumprimentá-los: "Mestre Frederick e srta. Blanchard!"
Então, ele se virou e foi ao banheiro.
Alicia respirou fundo, tentando sentir algum cheiro em si mesma. Ela pensou: "Ele só pode ter errado, certo? Não passei perfume nenhum!"
Isso a deixou bem irritada! O que havia de errado com ele agora?
A mulher ergueu o braço e cheirou-o repetidamente. Era leve, mas dava para sentir uma certa fragrância.
Depois do banho, Alicia levantou a mão e se cheirou de novo. Ainda era possível sentir um cheiro, mas era do sabonete líquido.
Ela parou ao lado da cama, apontou para um travesseiro e perguntou em um tom triste: "Vou ter que dormir no sofá de novo?"
Assim que ela fez essa pergunta, ele revirou os olhos. Depois, deitou-se e deu as costas para a esposa.
O que isso significava?
Ela podia dormir na cama ou não?
A mulher pensava que não podia.
Mesmo assim, Alicia franziu os lábios e levantou as cobertas para se deitar ao lado do homem. Quando viu que ele não reagiu, ela se aproximou dele aos poucos. Assim que se sentiu confortável ali, parou de se mexer obedientemente e fechou os olhos.
A verdade era que, desde que ela pudesse sentir a presença dele ao seu lado, estaria tudo bem.
Ainda que não tivesse olhado mais para ela, Frederick também pensava o mesmo. Foi só quando ouviu a respiração dela que ele começou a sentir sono.
No dia seguinte, quando Alicia acordou, deparou-se com o marido encarando-a com raiva. Foi só então que ela percebeu que havia se enrolado nele como um polvo.
"Você é uma cobra?", perguntou ele.

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