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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 102

— Vó… — Isaac fez uma cara de coitado para Rita. — A Lorena quer me mandar embora. Ela é muito brava.

Lorena realmente não entendia mais Isaac. O que ele queria afinal?

Quando Rita ouviu aquilo, ela riu.

— Isaac, a Lorena só está com medo de você perder tempo comigo e acabar atrapalhando o seu trabalho.

— Vó, eu não estou ocupado. Estou de férias. — Ele respondeu, tirando de algum lugar um baralho.

Lorena quase não acreditou. Ele realmente ia ficar ali jogando cartas com a avó e ainda a chamou para participar da partida.

Eles passaram assim quase uma hora, até que tanto Lorena quanto Rita começaram a ficar cansadas. Só então a partida terminou e as duas foram descansar um pouco depois do almoço.

Lorena não sabia se Isaac tinha o hábito de tirar soneca depois do almoço. Ela sabia que ele quase nunca voltava para casa nesse horário e que ele sempre tinha energia de sobra.

Dessa vez, Lorena dormiu até as quatro da tarde. Quando acordou, ainda estava meio grogue e ouviu, ao longe, vozes conversando.

Quando prestou atenção, percebeu que era Isaac falando com Rita.

Ele ainda estava ali?

Lorena se levantou, franziu a testa e saiu do quarto. Quando chegou à porta e olhou para o quintal, viu que ele estava ajudando Rita a montar um suporte para as flores.

As roseiras que Rita cultivava tinham crescido descontroladamente desde que o tempo esquentara. Se alguém montasse uma estrutura adequada, os galhos poderiam subir e formar, com o tempo, uma verdadeira parede de rosas.

Ele tinha arregaçado as mangas até o cotovelo, e tanto a barra da calça quanto os sapatos estavam cheios de barro. A estrutura de bambu já estava pronta. Ele agora se concentrava em amarrar, com cuidado, cada galho de roseira ao suporte.

O sol das quatro da tarde ainda batia forte. O cabelo dele estava úmido de suor, caindo em mechas desalinhadas sobre a testa.

— Vó, está quente demais. A senhora sobe e vai descansar um pouco. Eu termino aqui sozinho. — Os braços dele já tinham vários arranhões finos, com pequenos filetes de sangue marcando a pele.

Lorena teve medo de a avó passar mal por causa do calor. Ela desceu os degraus e gritou:

— Vó, entra para dentro de casa!

— Está sujo.

— Já está me achando insuportável só por causa disso? — Ele parou diante dela. Talvez por causa da tarde inteira de trabalho, os olhos dele pareciam ainda mais brilhantes. — Quando eu ficar velho, todo acabado, um velhinho feio, aí sim você não vai me suportar.

— Não vai acontecer — Lorena respondeu.

Porque ela sabia que os dois não envelheceriam juntos.

Isaac não fazia ideia do que ela realmente queria dizer. Ele tocou o nariz dela outra vez com a ponta do dedo.

— Ainda bem que você tem um pouco de coração.

— Isaac, vá tomar um banho logo. Lá no quarto tem roupa limpa para você, tudo novinho e arrumado — Rita chamou. Em seguida, falou com a neta. — Lô, pega a roupa do Isaac para ele.

Lorena acabou indo mesmo. Principalmente porque, daquele jeito, se ele não tomasse banho, ela nem teria coragem de encarar a avó. Também não queria começar uma discussão com ele na casa de Rita e transformar os poucos dias que ainda podia passar ao lado da avó em um caos.

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