Lorena não ficou pensando demais sobre o que aquela frase dele queria dizer. Nos últimos tempos, ele tinha surtado com uma frequência absurda, soltava ameaças de vez em quando, mas ela também não sentia que tinha algo a temer.
Quando uma pessoa sente medo ou recua, no fundo, é só amor. É porque essa pessoa se importa.
Nos primeiros cinco anos de casamento, o que Lorena mais temia era que Isaac nunca se apaixonasse por ela.
Agora, a realidade tinha mostrado com toda clareza: ele realmente não tinha se apaixonado por ela.
E parecia que, quando esse dia finalmente chegava, também não era o fim do mundo. Ela também já não o amava. No fim das contas, ela também conseguia não se importar com ele, não amá-lo.
Na hora do jantar, quase não houve nada de estranho.
Isaac estava com um apetite ótimo e comeu de tudo. Os camarões assados com alho, que Rita tinha preparado do jeito que ele gostava, caíram especialmente bem. Ele chegou ao ponto de raspar o prato, puxando para o próprio lado o restinho de alho e do molho levemente picante, até não sobrar absolutamente nada.
— Nenhum restaurante chique do mundo faz um camarão melhor do que esse da senhora, vó. — Ele comentou.
Aquilo soava exagerado, mas uma coisa era verdade: ele realmente adorava a comida de Rita.
— Por isso, vó, dessa vez a senhora precisa aceitar vir morar com a gente. A senhora gosta de plantar flores, gosta de mexer na horta… Nós compramos uma casa com um quintal grande, com dois jardins, um na frente e outro nos fundos, dá para a senhora plantar o que quiser.
Rita deu um sorriso.
— A casa de vocês já é toda arrumadinha. Se eu começar a plantar do meu jeito, vai virar uma bagunça. Depois só vai aparecer gente importante lá, vão olhar e achar feio.
— De jeito nenhum! Vó, a senhora está pensando demais. A senhora é nossa avó querida. Eu e a Lorena queremos muito que a senhora vá morar com a gente, para deixar a casa com mais vida. E quando a gente tiver filhos, aí sim vamos precisar ainda mais da senhora por perto.
Lorena estava tomando sopa quando ouviu essa última frase. A mão dela tremeu, a sopa espirrou e acabou indo pelo caminho errado. De repente, ela começou a tossir sem parar.
Isaac, que estava ao lado dela, estendeu a mão e deu leves tapinhas nas costas dela. Ele abaixou a cabeça e observou o rosto dela ficar todo vermelho pelo engasgo.
— Casada há cinco anos e ainda continua igual a uma criança. Até comendo você consegue se engasgar. Vó, eu realmente não sei o que a Lorena faz da vida quando eu não estou por perto.
O corpo de Lorena enrijeceu por um segundo. Aquela frase soou como um aviso: sem ele, como ela iria sobreviver? No fim, ela era uma mulher frágil, que nem conseguia cuidar da própria vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Atualizaaaaa...
Quando terá atualização???...