Isaac sabia muito bem o que estava fazendo quando massageava aqueles pontos.
Por mais que ele sentisse repulsa, a própria consciência o havia obrigado, no início da reabilitação dela, a passar muito tempo massageando a perna de Lorena. Agora, ao “retomar aquela antiga função”, sua técnica não estava nem um pouco enferrujada: ele acertava os pontos com precisão, os dedos firmes, a pressão exatamente no nível certo.
Isaac massageou por pelo menos meia hora. No fim, Lorena estava quase pegando no sono, o corpo inteiro pesado. Quando ele puxou a coberta e a ajeitou sobre ela, o movimento a despertou. Só então ela percebeu que ele já tinha terminado.
— Eu vou lavar as mãos. — Ele avisou. As mãos dele ainda estavam cobertas de óleo.
Lorena virou de lado, de frente para a parede, e voltou a se deitar.
Ele retornou rapidamente e se deitou atrás dela. Como a cama era pequena demais, acabou ficando colado às costas dela.
Ela, por instinto, se encolheu mais para dentro, mas ele a alcançou e passou o braço pela cintura dela.
— Você ainda não dormiu?
Mesmo que ela tivesse dormido, ele já tinha a despertado.
— Eu dormi, sim. — Lorena respondeu.
— Dormiu e ainda está falando? — Isaac se aproximou ainda mais, o corpo inteiro encostado ao dela.
— Eu vou te contar uma coisa. — Ele disse de repente. — Mas você não pode rir.
O que será que ele tinha para contar que poderia fazê-la rir?
— Quando eu era pequeno, eu era meio bobo. Eu ficava jogando videogame escondido antes de dormir, sabe aqueles portáteis? Você já jogou? Aí a minha vó percebia que eu ainda não tinha dormido e vinha conferir. E ela dizia assim: “Criança, quando dorme, dorme de boca aberta. Se não estiver de boca aberta, é porque está fingindo.” Eu ouvi aquilo e, todo bobo, abria a boca de propósito. A minha vó ria tanto de mim que contou essa história para todo mundo até eu fazer dez anos…
Lorena não riu. Ela simplesmente não conseguia rir.
Em cinco anos de casamento, aquela tinha sido a primeira vez que ele falava tanto com ela por vontade própria.
Antes, sempre tinha sido o contrário: era ela quem falava sem parar, tentando entrar no mundo dele, tentando encurtar a distância entre os dois. Na maior parte das vezes, ele respondia com uma frase seca, duas palavras e silêncio. Ou simplesmente não dizia nada.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Atualizaaaaa...
Quando terá atualização???...