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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 108

Isaac sabia muito bem o que estava fazendo quando massageava aqueles pontos.

Por mais que ele sentisse repulsa, a própria consciência o havia obrigado, no início da reabilitação dela, a passar muito tempo massageando a perna de Lorena. Agora, ao “retomar aquela antiga função”, sua técnica não estava nem um pouco enferrujada: ele acertava os pontos com precisão, os dedos firmes, a pressão exatamente no nível certo.

Isaac massageou por pelo menos meia hora. No fim, Lorena estava quase pegando no sono, o corpo inteiro pesado. Quando ele puxou a coberta e a ajeitou sobre ela, o movimento a despertou. Só então ela percebeu que ele já tinha terminado.

— Eu vou lavar as mãos. — Ele avisou. As mãos dele ainda estavam cobertas de óleo.

Lorena virou de lado, de frente para a parede, e voltou a se deitar.

Ele retornou rapidamente e se deitou atrás dela. Como a cama era pequena demais, acabou ficando colado às costas dela.

Ela, por instinto, se encolheu mais para dentro, mas ele a alcançou e passou o braço pela cintura dela.

— Você ainda não dormiu?

Mesmo que ela tivesse dormido, ele já tinha a despertado.

— Eu dormi, sim. — Lorena respondeu.

— Dormiu e ainda está falando? — Isaac se aproximou ainda mais, o corpo inteiro encostado ao dela.

— Eu vou te contar uma coisa. — Ele disse de repente. — Mas você não pode rir.

O que será que ele tinha para contar que poderia fazê-la rir?

— Quando eu era pequeno, eu era meio bobo. Eu ficava jogando videogame escondido antes de dormir, sabe aqueles portáteis? Você já jogou? Aí a minha vó percebia que eu ainda não tinha dormido e vinha conferir. E ela dizia assim: “Criança, quando dorme, dorme de boca aberta. Se não estiver de boca aberta, é porque está fingindo.” Eu ouvi aquilo e, todo bobo, abria a boca de propósito. A minha vó ria tanto de mim que contou essa história para todo mundo até eu fazer dez anos…

Lorena não riu. Ela simplesmente não conseguia rir.

Em cinco anos de casamento, aquela tinha sido a primeira vez que ele falava tanto com ela por vontade própria.

Antes, sempre tinha sido o contrário: era ela quem falava sem parar, tentando entrar no mundo dele, tentando encurtar a distância entre os dois. Na maior parte das vezes, ele respondia com uma frase seca, duas palavras e silêncio. Ou simplesmente não dizia nada.

Se Isaac tivesse feito isso antes do aniversário de cinco anos de casamento, ela provavelmente teria chorado de emoção. Agora, aquilo parecia apenas uma ironia cruel.

Ele sabia de tudo. Ele sabia que ela realmente queria um filho, sabia o quanto ela o tinha amado de verdade. Ele só nunca tinha querido ter um filho com ela. E, menos ainda, tinha querido amá-la.

Ela não fazia ideia do que se passava na cabeça daquele homem para ele agir, de repente, de maneira tão diferente.

Isaac abaixou o rosto até o ouvido dela, mordendo de leve o lóbulo da orelha, enquanto a respiração dele se tornava quente e pesada.

Lorena tentou se afastar, mas ele a prendeu novamente.

Eles estavam na casa da avó. Lorena não queria provocar um escândalo ali. Mas o peso dele, o corpo inteiro pressionando o dela, a diferença de força entre os dois… Ela simplesmente não conseguia tirá-lo de cima.

Quando o sopro quente de Isaac desceu pelo rosto e pelo pescoço dela, e ela percebeu que, por mais que lutasse, não conseguiria escapar, uma angústia crua subiu ao peito dela:

Ela estava prestes a deixar o país. Será que, antes de conseguir partir, ainda seria forçada a passar por aquilo com ele?

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