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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 135

O rosto de Isaac mudou na hora.

— O que você quer dizer com isso?

— Eu quero me desinfetar. Eu já falei que a sua mão é suja. — Lorena terminou de borrifar o álcool e, com calma, colocou a garrafa em cima da mesa de cabeceira.

— Você… — Isaac mais uma vez se sentiu provocado por ela.

Depois que ela largou a garrafa, ela se virou e se deitou de costas para ele, em posição de dormir.

Os lençóis recém-trocados tinham um perfume suave, muito agradável. Ela se sentia confortável ali e não estava nem um pouco preocupada com o que Isaac ia fazer.

Passou um tempo até a voz dele soar atrás dela.

— Lorena, eu tenho umas perguntas para fazer para você.

Ela continuou de olhos fechados, em silêncio.

— Como você conseguiu aquelas imagens da câmera de segurança?

Lorena tinha certeza de que ele não tinha voltado para casa à toa naquela noite. Ela, obviamente, não pretendia contar nada, então continuou respondendo com silêncio.

— Lorena, eu realmente não sabia que você tinha tanta capacidade assim. Quem ensinou você? Foi o Alberto? — Quando Isaac falou o nome “Alberto”, a voz dele veio carregada de hostilidade.

— Não foi. — Lorena teve que responder. Ela não podia deixar que ele jogasse essa culpa em cima de Alberto.

— Então quem foi? Fala para mim.

Pelo visto, Isaac não ia desistir enquanto não arrancasse uma resposta dela.

Lorena resolveu ser direta:

— Você não precisa perder seu tempo. Eu não vou falar.

— Lorena, não seja ingênua. Você acha mesmo que, com a tecnologia de hoje, eu não descubro isso sem você abrir a boca?

Lorena se virou na cama e encarou o rosto dele.

— Você quer que eu retire o processo, aceite um acordo com a Aurora e com aqueles dois “capangas” seus? — Lorena foi direto ao ponto.

— Quero. — Ele respondeu. — Me desculpa, Lorena, mas eu preciso proteger a Aurora. Ela é a única luz que eu já tive no momento mais escuro da minha vida.

O coração de Lorena afundou de vez.

O que passava na cabeça de Isaac? Ele dizia para a própria esposa, na cara dela, que outra mulher era a única luz da vida dele… e ainda esperava que a esposa ajudasse essa mulher?

— Lorena. — Isaac continuou. — Você sabe que a minha avó é a pessoa mais importante da minha vida. A Aurora e a mãe dela, de certa forma, salvaram a vida da minha avó. A mãe da Aurora é médica. Na época em que minha avó estava muito doente, ela era a médica responsável por ela. Nessa época, eu já tinha rompido com a minha família. Quando a minha avó ficou doente, meus pais não quiseram saber de nada. E eu ainda estava no ensino médio. Eu só podia ir ao hospital de manhã, à tarde e à noite para levar comida para a minha avó. Até que um dia ela me disse que de manhã e à tarde eu não precisava mais ir, porque tinha uma voluntária ajudando ela. Eu só precisava aparecer à noite. Uma noite, quando eu fui ver a minha avó, tinha um saquinho de pedrinhas coloridas no travesseiro dela. Ela disse que a voluntária tinha dado aquilo para ela, e que cada pedrinha trazia um desejo de melhora. Que ela ia ficar boa.

A voz de Isaac falhou um pouco.

— No fim, a minha avó não conseguiu se recuperar. Os desejos que estavam naquelas pedrinhas ficaram sendo só isso: desejo. Mas, Lorena, você tem ideia de como o meu mundo estava completamente cinza naquela época? De como é estar sozinho, carregando tudo nas costas? A pessoa que me ajudou a atravessar tudo isso enquanto eu cuidava da minha avó, que deixou o meu mundo um pouco menos escuro com um punhado de pedrinhas coloridas, foi a Aurora. Eu achava que nunca ia ter a chance de conhecer aquela voluntária. E, de repente, reencontrei ela na faculdade. Por isso, Lorena, não importa o que digam dela, para mim, ela sempre vai ser aquela luz.

Lorena ouviu tudo em silêncio, até que não conseguiu segurar e deixou escapar uma risada.

“Isaac, você tem mesmo certeza de que aquela voluntária que deu o saquinho de pedrinhas coloridas para a sua avó era a Aurora?” Foi o que Lorena perguntou, no fundo do coração.

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